{"id":1988,"date":"2011-03-22T15:40:59","date_gmt":"2011-03-22T18:40:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=1988"},"modified":"2011-03-22T15:40:59","modified_gmt":"2011-03-22T18:40:59","slug":"a-dignidade-de-ser-professor","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos-de-divulgacao\/a-dignidade-de-ser-professor\/","title":{"rendered":"A dignidade de ser professor"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><span style=\"font-size: x-small\">por Nelson Pretto \u2013 Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. <a href=\"http:\/\/www.pretto.info\/\">www.pretto.info<\/a> <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\n<p lang=\"pt-BR\">Caetano Veloso, em Neide Candolina, resgata a dignidade de ser professor. Ela, uma &#8220;<em>preta chique, essa preta bem linda<\/em>&#8220;, que \u00e9 modal e &#8220;<em>tem um Gol que ela mesma comprou \/ Com o dinheiro que juntou \/ Ensinando portugu\u00eas no Central\u201d<\/em>, na nossa \u201c<em>suja Salvador<\/em>\u201d onde \u201c<em>ela nunca furou um sinal<\/em>&#8220;. Isso \u00e9 bacana, com certeza, e isso \u00e9 &#8220;<em>nobreza brau<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A vida segue e todo o ano, em 15 de outubro, comemoramos o dia do professor, o dia da <em>pr\u00f3<\/em> Neide Candolina, aquela que nunca furou um sinal, porque professor  sempre foi sin\u00f4nimo de exemplo e dignidade. Nesse m\u00eas, quase todos os  anos, sempre escrevo sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a forma\u00e7\u00e3o, as  lutas e a defesa intransigente do ensino p\u00fablico e gratuito no nosso  pa\u00eds, tarefa m\u00e1xima da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, que, modestamente,  achamos que realizamos com profissionalismo e compromisso social. Este  ano, a escrita tem um elemento novo: a perspectiva do novo governo que  se inicia em janeiro pr\u00f3ximo e, como sempre, trazendo para os educadores  a expectativa de podermos ver, efetivamente, as tais promessas de  campanha de tantos candidatos se transformarem em realidade,  concretizando as radicais transforma\u00e7\u00f5es que sempre defendemos para a  educa\u00e7\u00e3o, visando, tamb\u00e9m, uma radical transforma\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de  mis\u00e9ria de nossa triste, quem sabe hoje alegre, Bahia. Mas \u00e9 importante  que todos saibam que nossos desejos se traduzem em demandas concretas.  Queremos uma escola p\u00fablica que possibilite que cada jovem deste Estado  possa atuar criticamente para enfrentar esse mundo dito globalizado que,  \u00e9 bem verdade, globaliza muitas coisas, principalmente a mis\u00e9ria,  guerras, viol\u00eancias e alguns produtos industrializados que oferecem  certos confortos, \u00e9 <em>vero<\/em>, mas muito mais fortemente, destroem culturas e valores locais pelo poder avassalador dos processos homogeneizantes.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Esse  poder de destrui\u00e7\u00e3o promovido pela tal globaliza\u00e7\u00e3o vem sendo  acompanhado de um movimento de morte, por inani\u00e7\u00e3o, dos tradicionais  col\u00e9gios baianos como o Central, que teve papel hist\u00f3rico na forma\u00e7\u00e3o  das elites em nosso Estado, junto com os tradicionais Jo\u00e3o Flor\u00eancio  Gomes, Al\u00edpio Franca, Costa e Silva, entre outros da Cidade Baixa, em  fun\u00e7\u00e3o da falta de apoio e da redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de alunos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mais  ainda, a profiss\u00e3o de professor foi perdendo dignidade, tanto pelos  baixos sal\u00e1rios como pela sua desvaloriza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as escolas e a  educa\u00e7\u00e3o foram sendo, paulatinamente, transformadas em mercadoria e n\u00f3s,  profissionais da educa\u00e7\u00e3o, produtos de baixo valor. Professores s\u00e3o  amea\u00e7ados em sala de aula, correm de um lugar para outro, n\u00e3o t\u00eam  recursos para compra de livros e para o pr\u00f3prio aperfei\u00e7oamento, n\u00e3o t\u00eam  condi\u00e7\u00f5es de viajar para conhecer outros lugares e culturas. Aquele  carrinho Gol, da <em>pr\u00f3<\/em> Neide Candolina, \u00e9 um sonho distante, j\u00e1 que poupan\u00e7a \u00e9 incompat\u00edvel com os ganhos desses profissionais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Recuperar as tradicionais escolas, da capital e do interior, sem buscar construir <em>Modelos<\/em> mas, sim, fortalecer o sistema, refor\u00e7ando o diferente de cada escola e  regi\u00e3o, com dignidade, condi\u00e7\u00f5es infra-estruturais e forte inser\u00e7\u00e3o nas  suas comunidades, \u00e9 tarefa mais que urgente. Assim como fortalecer a  id\u00e9ia de um sistema, envolvendo todos os agentes da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da  Bahia, com as escolas estaduais e municipais, universidades, Cefets e  escolas Agrot\u00e9cnicas, formando um forte rede, com n\u00f3s fortalecidos e  intensamente conectadas. Mas, tamb\u00e9m, e quem sabe principalmente,  recuperar a dignidade dos professores \u00e9 urgente no pa\u00eds e na Bahia.  Tarefa-desafio para o novo governo, porque para n\u00f3s, da educa\u00e7\u00e3o, isso  significa, tamb\u00e9m, recuperar a capacidade de pensar e amar dos  professores, de atuar criticamente na sociedade e nas escolas.  Resgatando m\u00faltiplos valores, entre os quais o da l\u00edngua, porque, como  afirma o escritor mexicano Carlos Fuentes, ela &#8220;<em>\u00e9 a base da cultura, a  porta da experi\u00eancia, o teto da imagina\u00e7\u00e3o, o por\u00e3o da mem\u00f3ria, o  quarto do amor e, acima de tudo, a janela aberta para o ar da d\u00favida,  incerteza e questionamento.<\/em>&#8221; Professor \u00e9 isso, e muito mais&#8230; \u00c9  gente que provoca e, ao provocar, constr\u00f3i junto, ensinando e  aprendendo, o tempo todo, para sempre.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\n<p lang=\"pt-BR\">Publicado em A Tarde de 14.10.2006, pag. 03<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Nelson Pretto \u2013 Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. www.pretto.info Caetano Veloso, em Neide Candolina, resgata a dignidade de ser professor. 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Este ano, a escrita tem um elemento novo: a perspectiva do novo governo que se inicia em janeiro pr\u00f3ximo e, como sempre, trazendo para os educadores a expectativa de podermos ver, efetivamente, as tais promessas de campanha de tantos candidatos se transformarem em realidade, concretizando as radicais transforma\u00e7\u00f5es que sempre defendemos para a educa\u00e7\u00e3o, visando, tamb\u00e9m, uma radical transforma\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria de nossa triste, quem sabe hoje alegre, Bahia. Mas \u00e9 importante que todos saibam que nossos desejos se traduzem em demandas concretas. Queremos uma escola p\u00fablica que possibilite que cada jovem deste Estado possa atuar criticamente para enfrentar esse mundo dito globalizado que, \u00e9 bem verdade, globaliza muitas coisas, principalmente a mis\u00e9ria, guerras, viol\u00eancias e alguns produtos industrializados que oferecem certos confortos, \u00e9 vero, mas muito mais fortemente, destroem culturas e valores locais pelo poder avassalador dos processos homogeneizantes. Esse poder de destrui\u00e7\u00e3o promovido pela tal globaliza\u00e7\u00e3o vem sendo acompanhado de um movimento de morte, por inani\u00e7\u00e3o, dos tradicionais col\u00e9gios baianos como o Central, que teve papel hist\u00f3rico na forma\u00e7\u00e3o das elites em nosso Estado, junto com os tradicionais Jo\u00e3o Flor\u00eancio Gomes, Al\u00edpio Franca, Costa e Silva, entre outros da Cidade Baixa, em fun\u00e7\u00e3o da falta de apoio e da redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de alunos. Mais ainda, a profiss\u00e3o de professor foi perdendo dignidade, tanto pelos baixos sal\u00e1rios como pela sua desvaloriza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as escolas e a educa\u00e7\u00e3o foram sendo, paulatinamente, transformadas em mercadoria e n\u00f3s, profissionais da educa\u00e7\u00e3o, produtos de baixo valor. Professores s\u00e3o amea\u00e7ados em sala de aula, correm de um lugar para outro, n\u00e3o t\u00eam recursos para compra de livros e para o pr\u00f3prio aperfei\u00e7oamento, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de viajar para conhecer outros lugares e culturas. Aquele carrinho Gol, da pr\u00f3 Neide Candolina, \u00e9 um sonho distante, j\u00e1 que poupan\u00e7a \u00e9 incompat\u00edvel com os ganhos desses profissionais. Recuperar as tradicionais escolas, da capital e do interior, sem buscar construir Modelos mas, sim, fortalecer o sistema, refor\u00e7ando o diferente de cada escola e regi\u00e3o, com dignidade, condi\u00e7\u00f5es infra-estruturais e forte inser\u00e7\u00e3o nas suas comunidades, \u00e9 tarefa mais que urgente. Assim como fortalecer a id\u00e9ia de um sistema, envolvendo todos os agentes da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Bahia, com as escolas estaduais e municipais, universidades, Cefets e escolas Agrot\u00e9cnicas, formando um forte rede, com n\u00f3s fortalecidos e intensamente conectadas. Mas, tamb\u00e9m, e quem sabe principalmente, recuperar a dignidade dos professores \u00e9 urgente no pa\u00eds e na Bahia. Tarefa-desafio para o novo governo, porque para n\u00f3s, da educa\u00e7\u00e3o, isso significa, tamb\u00e9m, recuperar a capacidade de pensar e amar dos professores, de atuar criticamente na sociedade e nas escolas. 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Publicado em A Tarde de 14.10.2006, pag. 03<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":297,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","template":"","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-1988","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1988"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1988\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}