{"id":1485,"date":"2010-04-22T10:43:29","date_gmt":"2010-04-22T13:43:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=1485"},"modified":"2010-04-22T10:43:29","modified_gmt":"2010-04-22T13:43:29","slug":"rumo-a-uma-nova-linguagem","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos-de-divulgacao\/rumo-a-uma-nova-linguagem\/","title":{"rendered":"Rumo a uma nova linguagem"},"content":{"rendered":"<h1>Rumo a uma nova linguagem<\/h1>\n<p><em>ANDR\u00c9A ROSA <\/em><\/p>\n<p>O professor Nelson Pretto assumiu este m\u00eas a dire\u00e7\u00e3o  da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. A meta, segundo o  profissional, \u00e9 abrir a faculdade para a comunidade em geral e trabalhar com a Internet  como suporte principal. &#8220;Uma escola n\u00e3o pode ser um bloco monol\u00edtico onde todos andam igualmente. Estaremos trabalhando em torno de pedagogias da  diferen\u00e7a e n\u00e3o mais de pedagogias da assimila\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o novo diretor da UFBA, que \u00e9 refer\u00eancia em tecnologia.<\/p>\n<p>\u00f7\u00f7Nelson De Luca Pretto, 45 anos, nasceu em Porto Alegre (RS) mas  desde pequeno se considera baiano. Iniciou sua carreira em 1979 como professor  do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com  p\u00f3s-doutorado na Universidade de Londres, Inglaterra, \u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo e autor, entre outros, dos livros &#8220;Uma escola sem\/com futuro: Educa\u00e7\u00e3o e Multim\u00eddia&#8221; e &#8220;Globaliza\u00e7\u00e3o &amp; Educa\u00e7\u00e3o&#8221;. Foi diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep\/MEC) e superintendente de Projetos Especiais da  Funda\u00e7\u00e3o Centro Brasileiro de Televis\u00e3o Educativa (Funtev\u00ea), no Rio. Atualmente \u00e9 coordenador da Biblioteca Virtual de Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia, um projeto do Prossiga\/CNPq.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Como est\u00e1 o uso da tecnologia, da Web em particular, no  universo acad\u00eamico hoje no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Acredito que est\u00e1 bastante intensificado. Acho que j\u00e1 vivemos  um momento pleno de uso dessas tecnologias na vida acad\u00eamica, de tal forma que pesquisadores, professores e mesmo alunos usam a Rede de forma intensa.  Mas isso ainda \u00e9 um problema, pois esse uso ainda se d\u00e1 de forma a reproduzir os  meios tradicionais. Quero dizer com isso, por exemplo, que o que vemos na Web  ainda s\u00e3o reprodu\u00e7\u00f5es dos tradicionais meios de pesquisar, ensinar e aprender. \u00c9  muito comum as pessoas simplesmente reproduzirem o que j\u00e1 possuem como  material escrito em um s\u00edtio da Internet. Eu acho isso um equ\u00edvoco. Ou, para ser  mais brando, um uso muito aqu\u00e9m da potencialidade da Rede. Rede significa &#8211;  deve significar na verdade &#8211; comunica\u00e7\u00e3o em todas as vias. E de forma  hipertextual, ou seja, com muitos links. Um verdadeiro labirinto informacional que  possibilita uma nova forma de compreender e produzir conhecimento.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Como assim, novas formas de produzir conhecimento?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Simples, veja a meninada quando assiste TV. O controle remoto \u00e9  de uma alucina\u00e7\u00e3o total. Pula de canal para canal. Parece que \u00e9 tudo sem  conex\u00e3o, mas existe ali um outro tipo de conex\u00e3o. Um mundo multifacetado de  conex\u00f5es que forma um outro tecido de significados. N\u00e3o mais linear, como na &#8220;velha&#8221; f\u00edsica newtoniana, das causas e efeitos facilmente  identific\u00e1veis. Vivemos um momento de intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares, onde pequenas  interfer\u00eancias podem gerar grandes perturba\u00e7\u00f5es. Ora, a Rede, com suas potenciais  conex\u00f5es m\u00faltiplas, possibilita um navegar assim, aparentemente sem rumo. Penso que, com  isso, estamos experimentando um outro tipo de pensar&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Qual o seu projeto para a Universidade?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Basicamente penso que a Universidade &#8211; e mais particularmente a  Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o que passaremos a dirigir a partir de agora &#8211; n\u00e3o sendo um  espa\u00e7o de normalidade, tem que ser um espa\u00e7o de rebeldia. Ter intera\u00e7\u00f5es e  conex\u00f5es m\u00faltiplas. Sendo assim, n\u00e3o pode estar calcada em padr\u00f5es de qualidade  como se fosse um f\u00e1brica, um ind\u00fastria, um loja. Hoje aqui em Salvador j\u00e1  vemos Faculdades dizendo coisas do tipo &#8220;a \u00fanica com ISO 9002&#8221;? O que isso significa? Que ela est\u00e1 adequada ao que se chama qualidade. Mas esses  padr\u00f5es s\u00e3o tempor\u00e1rios. Uma Universidade que se fundamente na normalidade  prepara para o presente &#8211; se \u00e9 que n\u00e3o para o passado! &#8211; e nunca para o futuro,  um futuro din\u00e2mico que tem que trabalhar com o inesperado. Sendo assim,  pensamos numa Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o que esteja centrada nas pedagogias da  diferen\u00e7a e n\u00e3o nas tradicionais pedagogias da assimila\u00e7\u00e3o. Trabalhar com as  diferen\u00e7as exige uma infra-estrutura de comunica\u00e7\u00e3o para possibilitar as intera\u00e7\u00f5es  m\u00faltiplas e n\u00e3o-lineares. Sendo assim, para n\u00f3s a infra-estrutura de comunica\u00e7\u00e3o  (Internet, TV, r\u00e1dio, impressos) passa a ser considerada como o elemento fundante, elemento estruturante desse novo espa\u00e7o educacional.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O que deseja enfocar? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Uma multiplicidade de pontos. Deixa falar de um que  considero important\u00edssimo. A Rede possibilita a intera\u00e7\u00e3o daquilo que chamo de local com o  n\u00e3o-local. Essa intera\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel hoje com conex\u00e3o plena. Temos, portanto,  que fortalecer os n\u00f3s de conex\u00e3o, de tal forma a fazer a local e n\u00e3o-local interagirem em p\u00e9 de igualdade. Por isso que sempre digo que n\u00e3o  queremos Internet nas escolas e sim as escolas na Internet. Pretendemos montar um faculdade de e-educa\u00e7\u00e3o, com esse ezinho de eletr\u00f4nico que fortale\u00e7a de forma intensa a produ\u00e7\u00e3o local de conhecimento e cultura. N\u00e3o queremos  ser USP, UNICAMP, UFRJ ou outra Universidade. Queremos ser UFBA e somente  sendo UFBA &#8211; sendo baiana, sendo local, portanto &#8211; poderemos ser planet\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O que pretende mudar? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Acho que n\u00e3o cabe aqui, se me permite&#8230; Fica  parecendo que o velho n\u00e3o vale nada!<\/p>\n<p><strong>&#8211; Quais os benef\u00edcios que ir\u00e1 trazer? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; O mesmo. Acho que podemos avan\u00e7ar nas demais  quest\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p><strong>&#8211; Os professores de hoje est\u00e3o se preparando para a mudan\u00e7a de comportamento que o mercado est\u00e1 exigindo? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o. Mas esse &#8220;n\u00e3o&#8221; tem que ser visto de duas  formas. De um lado n\u00e3o est\u00e3o porque n\u00e3o est\u00e3o mesmo. Ou seja, nossa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito deficit\u00e1ria e estamos sendo pressionados a modificar tudo. Agora, de  outro lado, esse &#8220;n\u00e3o&#8221; \u00e9 um n\u00e3o alvicareiro. \u00c9 um n\u00e3o de quem n\u00e3o est\u00e1 preocupado com esse mercado da forma como o senso comum costumeiramente  v\u00ea esta quest\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o temos mesmo que estar preparados para responder e  sim para afirmar. Afirmando, respondemos tamb\u00e9m! Essa \u00e9 a nossa  responsabilidade. N\u00f3s, de uma faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, que forma professores, temos que  estar abertos e qualificados para enfrentar um mercado que n\u00e3o \u00e9 estanque,  monol\u00edtico, mas que muda de forma veloz. Precisamos, portanto, estar preparando  professores que trabalhem na forma\u00e7\u00e3o de uma juventude que possa atuar de forma  plena na sociedade. N\u00e3o apenas como consumidores mais qualificados, mas como  produtores. Esse \u00e9 o desafio.<\/p>\n<p><strong>&#8211; E os alunos, est\u00e3o prontos? Est\u00e3o exigentes, ou tudo n\u00e3o  passa de um conceito ut\u00f3pico ainda? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Felizmente n\u00e3o est\u00e3o prontos. O problemas que  enfrentamos hoje \u00e9 exatamente esse: a meninada chega na escola cheia de g\u00e1s e vai perdendo o  tes\u00e3o, o interesse, porque a escola vai se distanciando do mundo. Observe que  essa meninada at\u00e9 o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o adora ir para a escola. Depois  acaba o desejo. Acaba a possibilidade de crescimento. Creio que um grande  exemplo disso podem ser os programas educacionais das ONGs, dos blocos de  carnaval e dos terreiros aqui na Bahia. S\u00e3o projetos que t\u00eam que estar inseridos na comunidade porque s\u00e3o parte dela. Mas eles n\u00e3o podem se limitar a ela.  Por isso a import\u00e2ncia da Rede. A import\u00e2ncia das conex\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Como \u00e9 essa hist\u00f3ria da Internet nas escolas e vice-versa? <\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9, quando antes falei isso, estava me referindo  exatamente \u00e0 possibilidade de cada grupo social, cada indiv\u00edduo, poder estar na Rede  na perspectiva de produtor e n\u00e3o apenas de consumidor. Estamos agora  trabalhando com os professores que v\u00e3o trabalhar nos programas educacionais dos Assentamentos de Reforma Agr\u00e1ria, do MST. Eles est\u00e3o vindo para a  Faculdade e est\u00e3o tendo aulas de l\u00edngua portuguesa, matem\u00e1tica e tecnologias de  comunica\u00e7\u00e3o. Sim, porque cada assentamento tem que estar presente na Rede. De forma  ativa e n\u00e3o apenas reativamente. N\u00e3o apenas para receber as informa\u00e7\u00f5es  centralizadas mas para dar\/produzir informa\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es. Entre eles mesmos, entre  eles e a sociedade planet\u00e1ria. Isso faz uma brutal diferen\u00e7a. O processo  educativo, assim, n\u00e3o p\u00e1ra. N\u00e3o termina.. \u00c9 permanente e cont\u00ednuo&#8230;.<\/p>\n<p><strong>&#8211; H\u00e1 tecnologia dispon\u00edvel no Brasil? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Sim.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Do que precisamos para alavancar? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem as diferen\u00e7as. No  Brasil de hoje, tratar igualmente \u00e9 sempre profundamente DESIGUAL. \u00c9 ser injusto.  Precisamos, por exemplo, de uma pol\u00edtica que privilegie a conex\u00e3o de escolas \u00e0 Rede Internet, por exemplo. J\u00e1 existe dispositivo legal atrav\u00e9s do Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o de Acesso, garantido na Lei Geral das Telecomunica\u00e7\u00f5es.  S\u00f3 que j\u00e1 se passaram quase tr\u00eas anos e nada foi implementado. Ainda est\u00e1  no Congresso. E, de outro lado, as quest\u00f5es corporativas e de reserva s\u00e3o  muitos fortes no pa\u00eds. Veja a quest\u00e3o da oferta de Internet de gra\u00e7a por alguns bancos e empresas. Est\u00e3o querendo segurar esses movimentos. E isso \u00e9 at\u00e9 burro do ponto de vista comercial.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Como estamos comparados a outros pa\u00edses? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Exatamente assim, na Inglaterra por exemplo, uma  grande empresa come\u00e7ou a oferecer Internet de gra\u00e7a e suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa explodiram&#8230; Isso  gerou mais e mais empresas oferecendo acesso de gra\u00e7a inclusive \u00e0 conex\u00e3o  telef\u00f4nica. A Espanha tem um projeto de oferta de Internet de gra\u00e7a para  professores. Portugal tem dois projetos ligados \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o das escolas na Rede, um  no Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia outro no da Educa\u00e7\u00e3o. O chile tem um grande  projeto tamb\u00e9m. Quero dizer com isso que existem iniciativas. N\u00e3o s\u00e3o todas maravilhosas, mas existe um movimento forte de incorpora\u00e7\u00e3o dessas  tecnologias na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Sei que a universidade de voc\u00eas \u00e9 muito conceituada no  mercado. Por qu\u00ea? Qual o diferencial? <\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Creio que o diferencial da UFBA \u00e9 exatamente o fato  de &#8211; desde as suas origens com Edgar Santos &#8211; ser uma Universidade com forte v\u00ednculo com o  local e ter um trabalho muito forte na \u00e1rea de artes e humanidades que, diria, \u00e9  a nossa voca\u00e7\u00e3o. Acho que isso deveria ser o horizonte para as demais Universidades e Faculdades: um olhar simult\u00e2neo para o local e o  planet\u00e1rio e um forte v\u00ednculo com aquilo que mais caracteriza o local como substrato  de seu funcionamento.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">copiado do JB: Copyright (c) 1995, 1999, <strong>Jornal do  Brasil<\/strong>, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rumo a uma nova linguagem ANDR\u00c9A ROSA O professor Nelson Pretto assumiu este m\u00eas a dire\u00e7\u00e3o da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. A meta, segundo o profissional, \u00e9 abrir a faculdade para a comunidade em geral e trabalhar com a Internet como suporte principal. &#8220;Uma escola n\u00e3o pode ser um bloco monol\u00edtico onde todos andam igualmente. Estaremos trabalhando em torno de pedagogias da diferen\u00e7a e n\u00e3o mais de pedagogias da assimila\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o novo diretor da UFBA, que \u00e9 refer\u00eancia em tecnologia. \u00f7\u00f7Nelson De Luca Pretto, 45 anos, nasceu em Porto Alegre (RS) mas desde pequeno se considera baiano. Iniciou sua carreira em 1979 como professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com p\u00f3s-doutorado na Universidade de Londres, Inglaterra, \u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo e autor, entre outros, dos livros &#8220;Uma escola sem\/com futuro: Educa\u00e7\u00e3o e Multim\u00eddia&#8221; e &#8220;Globaliza\u00e7\u00e3o &amp; Educa\u00e7\u00e3o&#8221;. Foi diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep\/MEC) e superintendente de Projetos Especiais da Funda\u00e7\u00e3o Centro Brasileiro de Televis\u00e3o Educativa (Funtev\u00ea), no Rio. 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Rede significa &#8211; deve significar na verdade &#8211; comunica\u00e7\u00e3o em todas as vias. E de forma hipertextual, ou seja, com muitos links. Um verdadeiro labirinto informacional que possibilita uma nova forma de compreender e produzir conhecimento. &#8211; Como assim, novas formas de produzir conhecimento? &#8211; Simples, veja a meninada quando assiste TV. O controle remoto \u00e9 de uma alucina\u00e7\u00e3o total. Pula de canal para canal. Parece que \u00e9 tudo sem conex\u00e3o, mas existe ali um outro tipo de conex\u00e3o. Um mundo multifacetado de conex\u00f5es que forma um outro tecido de significados. N\u00e3o mais linear, como na &#8220;velha&#8221; f\u00edsica newtoniana, das causas e efeitos facilmente identific\u00e1veis. Vivemos um momento de intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares, onde pequenas interfer\u00eancias podem gerar grandes perturba\u00e7\u00f5es. Ora, a Rede, com suas potenciais conex\u00f5es m\u00faltiplas, possibilita um navegar assim, aparentemente sem rumo. Penso que, com isso, estamos experimentando um outro tipo de pensar&#8230; &#8211; Qual o seu projeto para a Universidade? &#8211; Basicamente penso que a Universidade &#8211; e mais particularmente a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o que passaremos a dirigir a partir de agora &#8211; n\u00e3o sendo um espa\u00e7o de normalidade, tem que ser um espa\u00e7o de rebeldia. Ter intera\u00e7\u00f5es e conex\u00f5es m\u00faltiplas. Sendo assim, n\u00e3o pode estar calcada em padr\u00f5es de qualidade como se fosse um f\u00e1brica, um ind\u00fastria, um loja. Hoje aqui em Salvador j\u00e1 vemos Faculdades dizendo coisas do tipo &#8220;a \u00fanica com ISO 9002&#8221;? O que isso significa? Que ela est\u00e1 adequada ao que se chama qualidade. Mas esses padr\u00f5es s\u00e3o tempor\u00e1rios. Uma Universidade que se fundamente na normalidade prepara para o presente &#8211; se \u00e9 que n\u00e3o para o passado! &#8211; e nunca para o futuro, um futuro din\u00e2mico que tem que trabalhar com o inesperado. Sendo assim, pensamos numa Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o que esteja centrada nas pedagogias da diferen\u00e7a e n\u00e3o nas tradicionais pedagogias da assimila\u00e7\u00e3o. Trabalhar com as diferen\u00e7as exige uma infra-estrutura de comunica\u00e7\u00e3o para possibilitar as intera\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas e n\u00e3o-lineares. Sendo assim, para n\u00f3s a infra-estrutura de comunica\u00e7\u00e3o (Internet, TV, r\u00e1dio, impressos) passa a ser considerada como o elemento fundante, elemento estruturante desse novo espa\u00e7o educacional. &#8211; O que deseja enfocar? &#8211; Uma multiplicidade de pontos. Deixa falar de um que considero important\u00edssimo. A Rede possibilita a intera\u00e7\u00e3o daquilo que chamo de local com o n\u00e3o-local. Essa intera\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel hoje com conex\u00e3o plena. Temos, portanto, que fortalecer os n\u00f3s de conex\u00e3o, de tal forma a fazer a local e n\u00e3o-local interagirem em p\u00e9 de igualdade. Por isso que sempre digo que n\u00e3o queremos Internet nas escolas e sim as escolas na Internet. Pretendemos montar um faculdade de e-educa\u00e7\u00e3o, com esse ezinho de eletr\u00f4nico que fortale\u00e7a de forma intensa a produ\u00e7\u00e3o local de conhecimento e cultura. N\u00e3o queremos ser USP, UNICAMP, UFRJ ou outra Universidade. Queremos ser UFBA e somente sendo UFBA &#8211; sendo baiana, sendo local, portanto &#8211; poderemos ser planet\u00e1ria. &#8211; O que pretende mudar? &#8211; Acho que n\u00e3o cabe aqui, se me permite&#8230; Fica parecendo que o velho n\u00e3o vale nada! &#8211; Quais os benef\u00edcios que ir\u00e1 trazer? &#8211; O mesmo. Acho que podemos avan\u00e7ar nas demais quest\u00f5es&#8230; &#8211; Os professores de hoje est\u00e3o se preparando para a mudan\u00e7a de comportamento que o mercado est\u00e1 exigindo? &#8211; N\u00e3o. Mas esse &#8220;n\u00e3o&#8221; tem que ser visto de duas formas. De um lado n\u00e3o est\u00e3o porque n\u00e3o est\u00e3o mesmo. Ou seja, nossa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito deficit\u00e1ria e estamos sendo pressionados a modificar tudo. Agora, de outro lado, esse &#8220;n\u00e3o&#8221; \u00e9 um n\u00e3o alvicareiro. \u00c9 um n\u00e3o de quem n\u00e3o est\u00e1 preocupado com esse mercado da forma como o senso comum costumeiramente v\u00ea esta quest\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o temos mesmo que estar preparados para responder e sim para afirmar. Afirmando, respondemos tamb\u00e9m! Essa \u00e9 a nossa responsabilidade. N\u00f3s, de uma faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, que forma professores, temos que estar abertos e qualificados para enfrentar um mercado que n\u00e3o \u00e9 estanque, monol\u00edtico, mas que muda de forma veloz. Precisamos, portanto, estar preparando professores que trabalhem na forma\u00e7\u00e3o de uma juventude que possa atuar de forma plena na sociedade. N\u00e3o apenas como consumidores mais qualificados, mas como produtores.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":297,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-1485","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1485"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1485\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}