{"id":1190,"date":"2010-03-27T10:56:22","date_gmt":"2010-03-27T13:56:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=1190"},"modified":"2010-03-27T10:56:22","modified_gmt":"2010-03-27T13:56:22","slug":"o-futuro-da-escola","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos-de-divulgacao\/o-futuro-da-escola\/","title":{"rendered":"O futuro da escola"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www2.ufba.br\/~pretto\/textos\/emprego.jpg\" alt=\"EMPREGO\" width=\"518\" height=\"60\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Os caras n\u00e3o escreveram mas a entrevista foi de <\/span><a href=\"mailto:mascia@openlink.com.br\"><span style=\"font-size: small\">Ana Mascia Lagoa<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www2.ufba.br\/~pretto\/textos\/emp1dom.jpg\" border=\"1\" alt=\"[N\u00e9lson Pretto]\" hspace=\"15\" vspace=\"25\" width=\"300\" height=\"249\" align=\"right\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><a name=\"inicio\"><span style=\"font-size: small\">Smog era, no ano passado, um endere\u00e7o virtual desestruturante. Nele, os pesquisadores e educadores puderam acompanhar dia a dia as aventuras de um educador brasileiro mergulhado nas pesquisas sobre o uso da Internet no ensino. O autor da p\u00e1gina, professor Nelson Pretto (*), da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, estava em Londres, fazendo o p\u00f3s-doutorado e colocou na rede todas as suas reflex\u00f5es, como teria feito o mestre escola franc\u00eas do nos 20\/30, C\u00e9lestin Freinet, com o di\u00e1rio escolar. Indicado pela congrega\u00e7\u00e3o para dirigir a faculdade a partir de janeiro, Pretto (autor de <em>Escola sem\/com Futuro,<\/em> Papyrus) busca na forma com que as crian\u00e7as lidam com as novas tecnologias as respostas para o dilema da educa\u00e7\u00e3o frente \u00e0 inform\u00e1tica. No ano passado, organizou com crian\u00e7as a aula inaugural da faculdade e, para sua gest\u00e3o, elaborou um plano de 12 anos, que integra todos os grupos de pesquisa numa outra perspectiva de educa\u00e7\u00e3o, centrada nas diferen\u00e7as e na intera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as. Graduado em F\u00edsica, com mestrado em Educa\u00e7\u00e3o e doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o, Pretto cita seus amigos crian\u00e7as para indicar o caminho do aprendizado: as pessoas aprendem <em>futucando.<\/em> Em entrevista ao Jornal do Brasil, ele falou sobre o papel das novas tecnologias e os limites da atual organiza\u00e7\u00e3o da escola: &#8220;Nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 formar profissionais capazes de mudarem o mercado&#8221;. (*) <\/span><\/a><span style=\"font-size: small\">http:\/www.ufba.br\/\u00f7pretto<\/span><span style=\"font-size: small\"> <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Qual \u00e9 a grande quest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o hoje?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Em geral achamos que a educa\u00e7\u00e3o tem problemas e que pode ser consertada. Eu acho que \u00e9 mais que isso. \u00c9 preciso dar uma mexida geral na l\u00f3gica da sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Por mais que as correntes pedag\u00f3gicas estejam pensando em novas concep\u00e7\u00f5es, novos projetos, novas metodologias, a educa\u00e7\u00e3o continua sendo preparar a meninada para a ordem e eu acho que dev\u00edamos preparar para a desordem. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de moda, mas a ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 mais trabalhando com processos revers\u00edveis e sim irrevers\u00edveis, com as intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares e n\u00e3o nas lineares. E a escola continua centrada na id\u00e9ia de ordem, de rea\u00e7\u00e3o linear. O que significa que uma mexidinha aqui, pequena, resulta em algo pequeno. Numa intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o linear, ningu\u00e9m sabe o que acontece em seguida. Quando a escola se insere no mundo complexo, no sentido pleno da palavra,a se esfor\u00e7a para ser uma escola contempor\u00e2nea e traz esse mundo para a escola, podemos fazer uma imagem do que acontece. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Qual?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Sabe aquela massa de crian\u00e7a brincar, que parece uma gel\u00e9ia? \u00c9 como se pus\u00e9ssemos dentro de gavetas, de caixinhas e n\u00e3o coubesse, ficasse vazando. Quando mais se tenta for\u00e7ar apara dentro da gaveta, mas escapa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; \u00c9 isso que est\u00e1 acontecendo com as novas tecnologias? Escapa, n\u00e3o cabe, escorrega&#8230;<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Sim, acontece com o v\u00eddeo, a TV, o filme, a Internet. O professor usa v\u00eddeo. S\u00f3 que os meninos n\u00e3o aguentam mais ver Sociedade dos Poetas Mortos, Ilha das Flores, O Nome da Rosa. S\u00e3o filmes maravilhosos, mas eles n\u00e3o aguentam mais. Sabe por qu\u00ea? Porque pegamos o mundo da m\u00eddia, da comunica\u00e7\u00e3o e das tecnologias e enquadramos na an\u00e1lise sint\u00e1tica tradicional da escola. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; O mesmo ensino com outro suporte&#8230;<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Exatamente. Continua com a id\u00e9ia de ensino. N\u00e3o temos a id\u00e9ia de intera\u00e7\u00e3o, ou o que eu chamo de esfor\u00e7o de transformar a escola &#8211; professores, estudantes, todo mundo &#8211; em produtores de cultura e conhecimento. Voc\u00ea, na verdade, trabalha para transform\u00e1-los em melhores consumidores do t\u00eanis e de conhecimento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Conhecimento gerado aonde?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Nos grandes centros, nos centros privilegiados, refor\u00e7ando, mesmo nos projetos mais avan\u00e7ados, a ordem de coisas organizadas nos paradigmas do s\u00e9culo passado. Por isso estamos trabalhando na Bahia a pedagogia das diferen\u00e7as, onde a escola al\u00e9m de se preocupar com a universaliza\u00e7\u00e3o (que recebe todos os diferentes e forma todos iguais), ela vai trabalhar a intera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, com entrada de diferen\u00e7as e sa\u00edda de novas diferen\u00e7as. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Fala-se muito que a escola resiste a mudar. H\u00e1 uma intencionalidade nisso ou \u00e9 s\u00f3 resultado do medo de mudan\u00e7as?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; \u00c9 a soma das duas coisas. As pol\u00edticas nacionais e internacionais trabalham sintonizadas e coerentes. Isso independe da presen\u00e7a do Bird ou n\u00e3o, porque a terceira via est\u00e1 trabalhando com os mesmos valores em Educa\u00e7\u00e3o. Na Inglaterra, por exemplo, sem interfer\u00eancia do Bird, os valores s\u00e3o educa\u00e7\u00e3o como neg\u00f3cio, atento ao mercado e centrado na resposta pela qualidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Que qualidade \u00e9 essa?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; \u00c9 a\u00ed que eu me detenho. Para falar em qualidade \u00e9 preciso saber os objetivos. O que eu almejo. E isso n\u00e3o existe. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para avaliar?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Sim, \u00e9 para avaliar. Mas se eu parto das necessidades imediatas do mercado, tomando isso como algo dado, posto, que n\u00e3o vai mudar, e cabe a n\u00f3s preparar os estudantes para entrar no jogo, n\u00e3o estou educando. A sistem\u00e1tica do avaliar come\u00e7a definindo para qu\u00ea se quer educar. Temos que formar um cidad\u00e3o que em vez de se adequar a essas pol\u00edticas, defina, formule pol\u00edticas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Isso leva a um outro caminho no uso da tecnologia&#8230;<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; N\u00e3o queremos a Internet nas escolas, mas as escolas na Internet. \u00c9 uma diferen\u00e7a fundamental. Eu quero ir ao Louvre ou a uma biblioteca na rede, mas quero tamb\u00e9m estar presente com meus valores emocionais, culturais e sociais na rede. Estando preparado para gerar conhecimentos no plural, poderei visitar outros conhecimentos. Agregar produ\u00e7\u00f5es \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Corre-se o risco do material que est\u00e1 na Internet tamb\u00e9m ser formatado nas tais caixinhas do s\u00e9culo 19?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Sim. Eu tenho visto muito isso na rede. As produ\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o nas caixinhas. Mesmo nos projetos de escolas em que se usa Internet e a meninada faz as p\u00e1ginas, acabam caindo em um padr\u00e3o, numa l\u00f3gica de controle. Nos n\u00facleos de tecnologia educacional, onde atuam os erradamente chamado de multiplicadores, h\u00e1 um padr\u00e3o. E quando voc\u00ea imp\u00f5e um padr\u00e3o, obriga o estudante a buscar coisas para se enquadrar no padr\u00e3o. Se h\u00e1 uma grade, n\u00e3o se viabiliza o pensar. E a escola \u00e9 cheia de grades: a grade que cerca o terreno, a grade de hor\u00e1rios, a grade curricular. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Mesmo quando falamos de temas transversais?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Mesmo assim, porque \u00e9 transversal \u00e0s caixinhas, \u00e0s grades e assim n\u00e3o se avan\u00e7a muito. O que a escola tem que fazer \u00e9 se apropriar da rede, ter uma r\u00e1dio nela, uma TV comunit\u00e1ria, reproduzir o que passa na TV, usar tudo isso que est\u00e1 a\u00ed, o tempo todo. N\u00e3o \u00e9 para ter uma sala de v\u00eddeo, mas o v\u00eddeo o tempo todo na sala. N\u00e3o \u00e9 para se preocupar com o conte\u00fado did\u00e1tico de uma programa. Mas como ele pode ser usado didaticamente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; O senhor \u00e9 um profissional diferente. N\u00e3o seguiu exatamente a carreira de pedagogo&#8230;<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Hoje n\u00e3o se pode mais falar em carreira.Eu comecei fazendo alfabetiza\u00e7\u00e3o pelo m\u00e9todo Paulo Freire, ainda garoto. Depois fiz gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica, mestrado em Educa\u00e7\u00e3o e doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o e p\u00f3s doutorado em Estudos Culturais. N\u00e3o \u00e9 uma carreira padr\u00e3o. Est\u00e1 fora da grade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; Sua pesquisa se concentrou algum tempo na TV. Como o senhor v\u00ea a TV na Educa\u00e7\u00e3o?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Antes de trabalhar com TV, eu estudei os livros did\u00e1ticos. Estava insatisfeito com os livros que usava como professor. Cheguei a usar o teatro para que meus alunos entendessem o processo cient\u00edfico. Eu comecei a ver que o meio de comunica\u00e7\u00e3o era primitivo. A\u00ed nasceu o livro <em>A Ci\u00eancia do Livro Did\u00e1tico,<\/em> que incorpora pol\u00edtica do livro did\u00e1tico, filosofia da ci\u00eancia e o livro did\u00e1tico de ci\u00eancia. Deslanchamos uma campanha em 84\/85 para discutir o livro did\u00e1tico em encontros de professores. Sem a Internet criamos uma rede de comunica\u00e7\u00e3o. Mas sucumbimos \u00e0 press\u00e3o da ind\u00fastria editorial. A TV entrou depois disso, por conta da minha ida \u00e0 Funtev\u00ea, no Rio, com o projeto de fortalecer as universidades como produtoras de v\u00eddeo. As universidades produzem conhecimento, t\u00eam que produzir s\u00edmbolos para a sociedade, nas teses mas tamb\u00e9m usando todos os meios. <\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-size: small\">A garotada j\u00e1 est\u00e1 conectada <\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>A escola hoje inclui ou exclui?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Exclui. Ela funciona como um hospital que s\u00f3 aceita aqueles que est\u00e3o um pouco doentes, para ter certeza da cura e assim manter seus \u00edndices de desempenho. O que \u00e9 diferente demais fica de fora. A escola tem que trabalhar com as diferen\u00e7as. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Seu trabalho no doutorado, que virou livro, recebeu o nome de <\/strong><em>Escola Sem\/com Futuro.<\/em><strong> Por que esse nome?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; A id\u00e9ia era dizer que as tecnologias viriam para a escola, porque j\u00e1 est\u00e3o a\u00ed, ajudando a construir, de forma estruturante, os novos modos de pensar. Elas n\u00e3o s\u00e3o ferramentas, n\u00e3o s\u00e3o auxiliares e nem t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de animar escola nenhuma. Elas n\u00e3o s\u00e3o complementares, mas essenciais para a nova forma de pensar e de produzir conhecimentos. Se eu coloco as tecnologias na escola como instrumentos, essa escola fica sem futuro, apesar da cara de moderna. Na perspectiva estruturante muda tudo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Essa diferen\u00e7a entre ferramenta e parte do processo merece ser aprofundada, pois n\u00e3o est\u00e1 muito claro para a nossa sociedade que a tecnologia muda o jeito de ver, de pensar e de fazer<\/strong>&#8230; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Eu aprendo muito com a meninada, com meus amigos de oito, nove, dez anos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Eles pensam diferente da forma como eu penso. Num bairro popular, por mais pobre que seja, eu encontro a casa com <em>videogame.<\/em> E n\u00e3o \u00e9 o caso de discutir se \u00e9 bom ou ruim, mas entender que essa garotada est\u00e1 conectada, interagindo, algo diferente est\u00e1 acontecendo. No ano passado, abrimos as aulas na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o com uma aula inaugural dada por dez crian\u00e7as de 8 a 14 anos. Elas t\u00eam uma intimidade total com as tecnologias, fizeram tudo sem inibi\u00e7\u00f5es, sabem lidar com os microfones. Na ocasi\u00e3o eu perguntei a uma menina de oito anos como eles conseguiam jogar um jogo novo que vinha em ingl\u00eas. Ela me olhou muito espantada e respondeu: Oxente! Futuca! Ou seja, ela constr\u00f3i a forma de aprender, constr\u00f3i o conhecimento, experimentando, fazendo, reconstruindo, errando, acertando, testando hip\u00f3teses. Um menino desses v\u00ea TV (e v\u00ea MTV, que j\u00e1 \u00e9 uma pira\u00e7\u00e3o), joga, ouve no <em>walkman,<\/em> escreve no micro e ainda come pipoca e, se tiver uma bola por ali, faz um pontinho. Eles podem dar conta de multitarefas. Essa \u00e9 uma nova perspectiva de se relacionar com a m\u00e1quina. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>E a outra?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; <\/strong>\u00c9 aquela em que as pessoas dizem que a m\u00e1quina \u00e9 auxiliar e quem manda \u00e9 voc\u00ea. Isso \u00e9 mentira. Se eu estou na rede eu n\u00e3o mando nada. Demora para descer, cai, <em>control <\/em>isso, <em>control <\/em>aquilo&#8230; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Na perspectiva instrumental se fala em como fazer, h\u00e1 receitas.<\/strong>.. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Na estruturante n\u00e3o existe o como, n\u00e3o h\u00e1 receitas. \u00c9 na intera\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 o processo de aprendizado e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Da\u00ed o professor tem que ser outro. N\u00e3o adianta estar formando o professor em p\u00edlulas de treinamento, porque \u00e9 a possibilidade de estar interagindo em rede que far\u00e1 dos encontros presenciais uma possibilidade de gera\u00e7\u00e3o de conhecimento. Isso \u00e9 diferente da concep\u00e7\u00e3o linear onde eu trabalho primeiro com um aprendizado para depois gerar um conhecimento. Nessa l\u00f3gica, h\u00e1 um tempo de receber e um tempo de devolver. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>No fundo, no fundo, a escola n\u00e3o est\u00e1 nem mesmo nessa l\u00f3gica do receber e<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>devolver conhecimento&#8230;<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><strong>&#8211; <\/strong>Lamentavelmente. Mas isso eu nem quero mencionar, porque de verdade, de verdade, eu prefiro que essa escola de hoje n\u00e3o funcione. O que me preocuparia \u00e9 se ela fosse bem sucedida assim como \u00e9. Estar\u00edamos liq\u00fcidados. Porque pelo menos do jeito que \u00e9 existem as brechas e os meninos acabam achando seus espa\u00e7os. Eles n\u00e3o aprendem andar de <em>skate,<\/em> n\u00e3o surfam? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Pois \u00e9, como eles aprendem? N\u00e3o h\u00e1 um manual, n\u00e3o h\u00e1 receita de onda.<\/strong>.. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Cada onda \u00e9 uma onda e ele fica ali para pegar a onda certa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>E como ele sabe qual \u00e9 a onda certa?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Ele sabe e sabe tamb\u00e9m que tem que dar o tempo da onda e o seu tempo. O tempo da intera\u00e7\u00e3o entre a onda, o mar, as correntezas, a respira\u00e7\u00e3o que define qual a onda certa. \u00c9 isso que a escola tem que aprender com a meninada, que continua encontrando as brechas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Mesmo de uniforme eles acabam se diferenciando.<\/strong>.. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Isso mesmo. Eles j\u00e1 me perguntaram porque precisam usar uniforme. Acontece que eles inventam em cima, modificam o jeans, tiram o cinto, cortam. Eles querem fugir do padr\u00e3o. Mas claro que a farda tem sua fun\u00e7\u00e3o e se liberamos para cada um vir perdemos a id\u00e9ia de universaliza\u00e7\u00e3o. Mas essa \u00e9 uma quest\u00e3o muito pol\u00eamica. Como outras, que remetem \u00e0 id\u00e9ia de organiza\u00e7\u00e3o, de formato, como as carteiras enfileiradas, as filas para entrar na sala. \u00c9 com esse novo universo de grades que estamos dialogando sobre tecnologias a serem usadas como ferramentas. Se a tecnologia, por\u00e9m, passa a ser usada como estruturante de novas formas de pensar eu estarei removendo as grades. As grades da sala de aula, do curr\u00edculo, do muro, da programa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Mas o esquema de grades \u00e9 mais c\u00f4modo.<\/strong>.. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Claro. Se eu quero colocar a tecnologia a\u00ed, \u00e9 s\u00f3 encaixar na grade e, no m\u00e1ximo, se quisermos ser mais modernos, dizemos que \u00e9 transversal. Mas no dizer que \u00e9 transversal, meu ponto de refer\u00eancia ainda \u00e9 a grade. \u00c9 transversal a qu\u00ea? Mas quando a tecnologia entra como estruturante, ela entra para quebrar essas grades, com as intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares, onde pequenas coisas podem gerar grandes mudan\u00e7as. Para isso n\u00e3o h\u00e1 receitas. O importante \u00e9 aumentar a conectividade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Fala-se muito em trazer a l\u00f3gica do sistema produtivo para a escola. O que o senhor acha disso?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; N\u00e3o temos que fazer isso. N\u00e3o d\u00e1 para trazer essa l\u00f3gica para dentro da escola. N\u00e3o temos que otimizar nada. Escola \u00e9 o espa\u00e7o para pensar, refletir e produzir cultura, conhecimento e, ao fazer isso, incorporar o que est\u00e1 a\u00ed. E se envolver com a comunidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Mas a\u00ed ca\u00edmos na organiza\u00e7\u00e3o da escola?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; Eu ponho 600, 700 alunos num pr\u00e9dio eu acabo com ma escola dif\u00edcil de administrar. Eu provoco os meus amigos arquitetos a construir uma nova escola, que contemple as novas formas de pensar e fazer. As carteiras, os m\u00f3veis escolares precisam mudar. Estamos come\u00e7ando uma pesquisa para isso na Bahia, para criar uma forma de escola que n\u00e3o impe\u00e7a o pensar. Porque do jeito que ela \u00e9, com a campainha, os 50 minutos, o recreio, as fileiras, tudo isso, n\u00e3o ajuda a pensar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Podemos pensar em colm\u00e9ias, como pensou Freinet?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; As colm\u00e9ias s\u00e3o interessantes, a id\u00e9ia das abelhinhas indo colher o mel. Ali\u00e1s, Freinet se fosse vivo adoraria a rede. Muito do que fazemos hoje ele fazia com as condi\u00e7\u00f5es que tinha no interior da Fran\u00e7a na primeira metade do s\u00e9culo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>Hoje, mesmo com todo o investimento, n\u00e3o temos tecnologia de ponta. Isso n\u00e3o prejudica os planos de uso da tecnologia no ensino?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; N\u00f3s n\u00e3o podemos pensar em tecnologias s\u00f3 de ponta. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos achar que as escolas p\u00fablicas podem se contentar com as coisas de segunda. O discurso que mais tem que ser combatido e com todas as nossas for\u00e7as \u00e9 aquele que diz: crian\u00e7a pobre n\u00e3o precisa de computador, precisa de merenda. Ele faz parte da velha l\u00f3gica linear, em que os problemas t\u00eam que ser resolvidos por uma ordem cronol\u00f3gica. N\u00f3s temos que colocar a escola p\u00fablica na ponta da conex\u00e3o, como \u00fanica forma de por fim ao <em>apartheid <\/em>social. Por isso \u00e9 importante que o Congresso Nacional vote a lei da universaliza\u00e7\u00e3o o acesso. E isso n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de orelh\u00e3o. Queremos \u00e9 que a escola esteja conectada na Internet. \u00c9 como na m\u00fasica dos Tit\u00e3s: tudo ao mesmo tempo, aqui e agora. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; <strong>A escola n\u00e3o precisa disso para preparar para o mercado de trabalho?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">&#8211; N\u00e3o podemos construir falsos argumentos para equipar a escola com mais tecnologia. Como podemos dizer que estamos preparando para o mercado de trabalho? Ningu\u00e9m sabe o que ser\u00e1 esse mercado de trabalho. N\u00e3o me venham dizer que ensinar planilha, processador de texto ou seja l\u00e1 o que mais \u00e9 preparar para o mercado de trabalho. O centro da quest\u00e3o \u00e9 preparar a meninada para interagir com essa tecnologia de uma outra perspectiva, como integrantes de um s\u00f3 processo. Na m\u00fasica, nas artes pl\u00e1sticas, quem usa computador n\u00e3o diz que a m\u00e1quina ajuda a fazer arte. Ele faz outra arte. Uma educa\u00e7\u00e3o que muda pode construir um modelo em que teremos uma educa\u00e7\u00e3o que forma cidad\u00e3os que interagem e n\u00e3o pessoas que consomem.<\/span><\/p>\n<h2>A galera que j\u00e1 leu &#8230; <a href=\"http:\/\/www2.ufba.br\/~pretto\/textos\/comenJB.htm\">comentou<\/a>!<\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 Os caras n\u00e3o escreveram mas a entrevista foi de Ana Mascia Lagoa \u00a0 Smog era, no ano passado, um endere\u00e7o virtual desestruturante. Nele, os pesquisadores e educadores puderam acompanhar dia a dia as aventuras de um educador brasileiro mergulhado nas pesquisas sobre o uso da Internet no ensino. O autor da p\u00e1gina, professor Nelson Pretto (*), da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, estava em Londres, fazendo o p\u00f3s-doutorado e colocou na rede todas as suas reflex\u00f5es, como teria feito o mestre escola franc\u00eas do nos 20\/30, C\u00e9lestin Freinet, com o di\u00e1rio escolar. Indicado pela congrega\u00e7\u00e3o para dirigir a faculdade a partir de janeiro, Pretto (autor de Escola sem\/com Futuro, Papyrus) busca na forma com que as crian\u00e7as lidam com as novas tecnologias as respostas para o dilema da educa\u00e7\u00e3o frente \u00e0 inform\u00e1tica. No ano passado, organizou com crian\u00e7as a aula inaugural da faculdade e, para sua gest\u00e3o, elaborou um plano de 12 anos, que integra todos os grupos de pesquisa numa outra perspectiva de educa\u00e7\u00e3o, centrada nas diferen\u00e7as e na intera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as. Graduado em F\u00edsica, com mestrado em Educa\u00e7\u00e3o e doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o, Pretto cita seus amigos crian\u00e7as para indicar o caminho do aprendizado: as pessoas aprendem futucando. Em entrevista ao Jornal do Brasil, ele falou sobre o papel das novas tecnologias e os limites da atual organiza\u00e7\u00e3o da escola: &#8220;Nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 formar profissionais capazes de mudarem o mercado&#8221;. (*) http:\/www.ufba.br\/\u00f7pretto &#8211; Qual \u00e9 a grande quest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o hoje? &#8211; Em geral achamos que a educa\u00e7\u00e3o tem problemas e que pode ser consertada. Eu acho que \u00e9 mais que isso. \u00c9 preciso dar uma mexida geral na l\u00f3gica da sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Por mais que as correntes pedag\u00f3gicas estejam pensando em novas concep\u00e7\u00f5es, novos projetos, novas metodologias, a educa\u00e7\u00e3o continua sendo preparar a meninada para a ordem e eu acho que dev\u00edamos preparar para a desordem. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de moda, mas a ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 mais trabalhando com processos revers\u00edveis e sim irrevers\u00edveis, com as intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares e n\u00e3o nas lineares. E a escola continua centrada na id\u00e9ia de ordem, de rea\u00e7\u00e3o linear. O que significa que uma mexidinha aqui, pequena, resulta em algo pequeno. Numa intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o linear, ningu\u00e9m sabe o que acontece em seguida. Quando a escola se insere no mundo complexo, no sentido pleno da palavra,a se esfor\u00e7a para ser uma escola contempor\u00e2nea e traz esse mundo para a escola, podemos fazer uma imagem do que acontece. &#8211; Qual? &#8211; Sabe aquela massa de crian\u00e7a brincar, que parece uma gel\u00e9ia? \u00c9 como se pus\u00e9ssemos dentro de gavetas, de caixinhas e n\u00e3o coubesse, ficasse vazando. Quando mais se tenta for\u00e7ar apara dentro da gaveta, mas escapa. &#8211; \u00c9 isso que est\u00e1 acontecendo com as novas tecnologias? Escapa, n\u00e3o cabe, escorrega&#8230; &#8211; Sim, acontece com o v\u00eddeo, a TV, o filme, a Internet. O professor usa v\u00eddeo. S\u00f3 que os meninos n\u00e3o aguentam mais ver Sociedade dos Poetas Mortos, Ilha das Flores, O Nome da Rosa. S\u00e3o filmes maravilhosos, mas eles n\u00e3o aguentam mais. Sabe por qu\u00ea? Porque pegamos o mundo da m\u00eddia, da comunica\u00e7\u00e3o e das tecnologias e enquadramos na an\u00e1lise sint\u00e1tica tradicional da escola. &#8211; O mesmo ensino com outro suporte&#8230; &#8211; Exatamente. Continua com a id\u00e9ia de ensino. N\u00e3o temos a id\u00e9ia de intera\u00e7\u00e3o, ou o que eu chamo de esfor\u00e7o de transformar a escola &#8211; professores, estudantes, todo mundo &#8211; em produtores de cultura e conhecimento. Voc\u00ea, na verdade, trabalha para transform\u00e1-los em melhores consumidores do t\u00eanis e de conhecimento. &#8211; Conhecimento gerado aonde? &#8211; Nos grandes centros, nos centros privilegiados, refor\u00e7ando, mesmo nos projetos mais avan\u00e7ados, a ordem de coisas organizadas nos paradigmas do s\u00e9culo passado. Por isso estamos trabalhando na Bahia a pedagogia das diferen\u00e7as, onde a escola al\u00e9m de se preocupar com a universaliza\u00e7\u00e3o (que recebe todos os diferentes e forma todos iguais), ela vai trabalhar a intera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, com entrada de diferen\u00e7as e sa\u00edda de novas diferen\u00e7as. &#8211; Fala-se muito que a escola resiste a mudar. H\u00e1 uma intencionalidade nisso ou \u00e9 s\u00f3 resultado do medo de mudan\u00e7as? &#8211; \u00c9 a soma das duas coisas. As pol\u00edticas nacionais e internacionais trabalham sintonizadas e coerentes. Isso independe da presen\u00e7a do Bird ou n\u00e3o, porque a terceira via est\u00e1 trabalhando com os mesmos valores em Educa\u00e7\u00e3o. Na Inglaterra, por exemplo, sem interfer\u00eancia do Bird, os valores s\u00e3o educa\u00e7\u00e3o como neg\u00f3cio, atento ao mercado e centrado na resposta pela qualidade. &#8211; Que qualidade \u00e9 essa? &#8211; \u00c9 a\u00ed que eu me detenho. Para falar em qualidade \u00e9 preciso saber os objetivos. O que eu almejo. E isso n\u00e3o existe. &#8211; Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para avaliar? &#8211; Sim, \u00e9 para avaliar. Mas se eu parto das necessidades imediatas do mercado, tomando isso como algo dado, posto, que n\u00e3o vai mudar, e cabe a n\u00f3s preparar os estudantes para entrar no jogo, n\u00e3o estou educando. A sistem\u00e1tica do avaliar come\u00e7a definindo para qu\u00ea se quer educar. Temos que formar um cidad\u00e3o que em vez de se adequar a essas pol\u00edticas, defina, formule pol\u00edticas. &#8211; Isso leva a um outro caminho no uso da tecnologia&#8230; &#8211; N\u00e3o queremos a Internet nas escolas, mas as escolas na Internet. \u00c9 uma diferen\u00e7a fundamental. Eu quero ir ao Louvre ou a uma biblioteca na rede, mas quero tamb\u00e9m estar presente com meus valores emocionais, culturais e sociais na rede. Estando preparado para gerar conhecimentos no plural, poderei visitar outros conhecimentos. Agregar produ\u00e7\u00f5es \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o. &#8211; Corre-se o risco do material que est\u00e1 na Internet tamb\u00e9m ser formatado nas tais caixinhas do s\u00e9culo 19? &#8211; Sim. Eu tenho visto muito isso na rede. As produ\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o nas caixinhas. Mesmo nos projetos de escolas em que se usa Internet e a meninada faz as p\u00e1ginas, acabam caindo em um padr\u00e3o, numa l\u00f3gica de controle. Nos n\u00facleos de tecnologia educacional, onde atuam os erradamente chamado de multiplicadores, h\u00e1 um padr\u00e3o. E quando voc\u00ea imp\u00f5e um padr\u00e3o, obriga o estudante a buscar coisas para se enquadrar no padr\u00e3o. Se h\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":297,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-1190","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1190"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1190"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1190\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}