Artigo de Kelly Alves e Tarcísio Sant’Ana sobre Rádio e Educação

O rádio e a educação, a pandemia e a radiodifusão educativa na Bahia

por Kelly Ludkiewicz Alves, Professora da Faculdade de Educação da Ufba e Tarcísio Sant’Ana, Estudante de História (bolsista Pibic)

N a pandemia a angústia tem sido companheira de estudantes e profissionais da educação com a correta suspensão das aulas presenciais nas escolas e universidades. A internet passou a ser o espaço para os encontros educativos, porém, diante dos problemas ligados à conexão, à desigualdade nas condições de acesso e às dificuldades de professores e estudantes com as aulas remotas, reacendeu-se a discussão sobre a importância da escola, do acesso ao conhecimento e à educação de qualidade para toda a sociedade.
Um dos caminhos para enfrentar os desafios que a pandemia coloca a nós educadores está incorporado ao cotidiano dos brasileiros. Trata-se do rádio, que por suas qualidades técnicas e potencial de alcance tem sido historicamente um veí- culo importante de educação no Brasil. As primeiras experiências datam dos anos 30 e desde o início da pandemia não foram raras as notícias sobre o uso de aulas radiofônicas para transmissão de conteúdos escolares, sobretudo, nas zonas rurais onde o acesso à internet é ainda mais precário.

A Bahia é pioneira na radiodifusão edu- cativa em âmbito estadual com a produção de conteúdos na década de 60, por meio de parcerias da Secretaria de Educação com o Ministério da Educação, mais sindicatos, associações, igrejas e movi- mentos sociais, através do conhecido Movimento de Educação de Base (MEB). O rádio foi uma alternativa bem-sucedida diante da extensão territorial do Estado, da ausência de escolas em muitas cidades e da necessidade de acesso da população à alfabetização e à educação.
Foi a partir destas experiências que em 1969 foi criado o Irdeb (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia), órgão que passou a produzir programas educativos radiofônicos, como o Ginásio do Ar, que transmitia em 11 meses, o 1o ciclo do então curso Secundário. O Irdeb, com a Rádio Educadora (fundada em 1978), possui em seus arquivos um rico material histórico de boa parte destas experiências que, por sua importância, precisam ser preserva- dos e acessados por pesquisadores e do- centes, pois são fontes valiosas tanto para a história e memória da radiodifusão educativa, como para construirmos possibilidades de utilização do rádio na edu- cação na atualidade.

Diante dos desafios que vivenciamos na pandemia, para levarmos a escola às casas baianas, já que a volta às aulas presenciais ainda não é segura para alunos, professores e suas famílias, e tendo em vista que a internet está longe de ser acessível a toda a sociedade, devemos buscar e valorizar o uso do rádio como política pública educacional neste e em outros contextos. A Bahia possui uma infraestrutura de rádios por todo o Estado e a experiência acumulada pelo Irdeb. O rádio está nos celulares, nas residências e inscrito em nossa cultura, como um companheiro diário de todos nós.

 

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