O app de Mãe Stella, por Nelson Pretto

Hoje é o dia de aniversário de Mãe Stella de Oxóssi, que faz 92 anos. Com sua jovialidade e sabedoria, provocou-nos num passado recente e, hoje, com alegria, estamos colocando na rede um aplicativo com suas sabias palavras.

2015maeStellaAplicativo2015-10-27 15.55.20esquemaO aplicativo foi desenvolvido por participantes do Raul Hacker Clube, Lucas Teixeira Rocha (Cascudo – @lucascudo) e Antônio Ladeia com apoio de Karina Menezes e Rose Vermelho.

O aplicativo livre está disponível para Android na PlayStore, podendo ser localizado pela busca “Orientações de Mãe Stella”. Clique aqui para instalar.

2015maeStellaAplicativo2015-10-27 15.59.15grupo 2015maeStellaAplicativo2015-10-27 15.59.38OsaTRes 2015maeStellaAplicativo2015-10-27 17.14.30

Em dezembro de 2015 Mãe Stella escreveu artigo no qual descrevia um pouco da ideia inicial. Veja aqui o que ela dizia:

#10%quevalempor90%

Mãe Stella de Oxossi, A Tarde 08/12/2015, pag. 02

Creio que foi há mais ou menos dois anos que escrevi um artigo intitulado “Sucateiro, sucateiro”. Muito leitores ficaram surpresos com o fato de que com quase 90 anos (na época) eu ainda possuía sonhos. Respondi aos leitores com outro artigo onde revelava meu sonho de construir uma biblioteca itinerante composta por livros voltados para o despertar da espiritualidade. Pedi aos leitores que me ajudassem usando as redes sociais como uma grande rede de pescar benefícios coletivos. Sonhei, pedi e consegui: a biblioteca itinerante, Animoteca, é hoje uma realidade.

Pensar que uma pessoa não pode ter sonhos só porque é velha é um grande preconceito. Mas somos todos, por um motivo ou outro, preconceituosos. Somos, e daí?… Trabalharemos nosso interior para que sejamos cada dia menos. Sem dramas, sem choques, sem culpas, perseguiremos sempre a perfeição (mesmo que ela corra de nós).

Quero fazer uma queixa aos leitores deste magnífico jornal: estou sofrendo bullying de meus próprios amigos. Resolvi criar um aplicativo (mesmo sem saber direito o que isto significava) e eles não estão acreditando que a ideia foi minha. Imaginem… Só porque sou velha!

Começou tudo de novo! Olhe o preconceito aí, gente! Vou contar então o que aconteceu. A palavra aplicativo me fazia rir à toa e perguntava todos os dias o que era um aplicativo (já estava irritando o povo!), até que recebi a visita do amigo Nelson Pretto. Não o deixei nem se acomodar na cadeira e fui logo disparando a pergunta: Professor, o que é um aplicativo? Ele me explicou em poucas palavras o que eu já deduzia. Foi então que me perguntaram: “Mãe, por que é que a senhora pergunta tanto sobre isto?”. Respondi: porque vou lançar um aplicativo! Imediatamente, o professor Nelson Pretto ligou para seus alunos que, entusiasmados, compraram a ideia.

Assim, vou encerrando o ano de 2015 trabalhando, junto com meu amigo/irmão professor José Beniste, neste novíssimo projeto: um aplicativo com os saberes da língua yorubá. Quero continuar trabalhando a capacidade de pedir, a qual foi inspirada pela saudosamente presente Irmã Dulce. Sem bullying, tá gente? A ideia é minha! Para conseguir a biblioteca itinerante fiz um “trabalho de formiguinha”: aquele em que muitos seres pequeninos se unem para fazer, pacientemente, um laborioso e contínuo trabalho.

Agora sou uma mãe/leoa precisando da coragem e força dos leões. Preciso de garra e de quem tenha garra. Preciso de quem tenha espírito de luta, poder e nobreza de sentimentos e atitudes. Preciso dos grandes meios de comunicação: canais de televisão, rádios, jornais, sites, blogs…

O pedido é grande, mas a ideia é simples. Peço, portanto, aos donos e diretores dos meios de comunicação que no ano de 2016 tenhamos, diariamente, uma notícia que mostre o que de bom a humanidade está fazendo. Eu disse diariamente! Já que diariamente ouvimos e lemos 90% do que de ruim está acontecendo no mundo. Muitas descobertas científicas, pessoas realizando obras positivas, cuidando do meio ambiente e de pessoas… Isto também é notícia! E boa notícia! Os jornais televisivos poderiam encerrar sempre com uma mensagem estimulante, para que o “boa noite” que dizem nos dê realmente uma boa noite, e assim possamos acordar com pensamentos a atos construtivos. Sendo uma ação contínua, preciso então da resistência das formigas e do poder dos leões: 10% contra 90%, será que isto é pedir muito?

Um amigo “formiga/leão”, Julianos Mattos, em sua matemática particular diz ser 10% ativo e bem-intencionado, mais valioso do que 90% indiferente e sem determinação. Concluo este artigo e encerro o ano de 2015 convocando os “formigas/leões” para atuar na campanha: #10%quevalempor90%.

 

Publicado em Artigos | Com a tag , | Deixar um comentário

Mulheres e a memória da educação na Bahia

Nesse dia 8 de março de 2017, dia internacional das mulheres, iniciamos uma nova articulação dos projetos Memória em Vídeo da Educação da Bahia e Conhecimento livre e Divulgação Científica, o primeiro com apoio do CNPQ, o segundo com apoio de emenda Parlamentar da Senadora Lídice da Mata (PSB-Bahia), com a Saladearte Cinema.

A partir de amanhã, da mesma forma como já está acontecendo na TVE Bahia, serão exibidos em todas as sessões, interprogramas (clips) contando, na voz de educadoras e educadores, um pouquinho da história da educação em nossa estado.

Para a estreia nos cinemas da Saladearte Cinema escolhemos o depoimento de Perfilino Neto sobre as três primeiras diretoras do IRDEB (Instituto de Rádiodifusão Educativa da Bahia- TVE e Rádio Educadora), Rute Vieira, Noelia Pessoa e Aristoclea Macedo.

Veja aqui o belo cartaz realizado por Karina Menezes.

Cartaz. Memoria na saladearte

Cartaz. Memoria na saladearte

 

Veja aqui o primeiro clip do projeto com a saladearte Cinema.

Publicado em Campanhas, Cultura | Com a tag , , , , | Deixar um comentário

Tá tudo dominado!

O que já se sabia a boca pequena foi tornado público ontem na aula inaugural do ano letivo da rede estadual, tanto pelo governador como pelo secretário de educação do Estado da Bahia.

Seguindo o modelo de vários outros estados, prefeituras e, inclusive, universidade públicas, a rede estadual de educação da Bahia passará a adotar, entre outras, a plataforma educacional desenvolvida pela empresa norte-americana Google. A Prefeitura de Salvador já adotou algo similar desde o ano passado nas suas EscolaLabs [aqui], tendo o prefeito ACM Neto e o secretário de Educação, Guilherme Bellintani visitado a empresa, nos Estados Unidos, no ano passado [aqui].

EscoLabs e Google

Imagem de divulgação da Prefeitura de Salvador para o Projeto EscoLabs

 

Algumas das questões associadas à essa duvidosa decisão do Estado precisam ser destacadas. A primeira, diz respeito à tranquilidade com que dirigentes da SEC e o próprio governador, segundo o jornal A Tarde de hoje, anunciam que a empresa fornecerá gratuitamente a sua suíte educacional para ser usada pelos estudantes da rede pública do Estado da Bahia. Tendo à frente da SEC um dos pioneiros militantes do movimento do software livre, o ex deputado e senador licenciado Walter Pinheiro, o governo vir a público afirmar que o custo do projeto é zero é uma total ingenuidade, para não dizer outra coisa. Quem não sabe que quando usamos esses sistemas ditos gratuitos, estamos, na verdade, remunerando essas empresas justamente com a moeda de maior valor no mundo contemporâneo: nossas informações. TODAS, em caixa alta mesmo, todas as informações sobre nossas vidas estarão à disposição para uma única empresa que vive, justamente, das informações que armazena e opera! Que cada sujeito faça isso individualmente é do seu foro íntimo e do seu livre arbítrio. No entanto, que um governo passe a adotar como política pública, “obrigando” toda uma comunidade escolar lá depositar seus dados e suas produções, é absolutamente lastimável.

O que tem acontecido com o crescimento dessas grandes corporações de TI, como Google, Facebook e outras, é um grande desafio contemporâneo e ações públicas no sentido de limitar a atuação dessas transnacionais precisam ser enfrentadas, principalmente através de políticas públicas corajosas.

Um segundo aspecto, mais amplo, diz respeito, justamente, ao espantoso crescimento dessas empresas, o que tem se tornado uma preocupação mundial. Através de algoritmos que ninguém sabe muito bem como são construídos, Google, por exemplo, deixa de ser apenas o nome de uma empresa e passa a ser um verbo: procurar, buscar. Como já fizemos com outras marcas no passado, como Coca-Cola, Gillette entre outras, hoje muitas dessas empresas estão se tornando sinônimo de internet ou de busca de informação. O trabalho da jornalista Naomi Klein é fundamental para melhor isso entender (No Logo).

Isso é ainda mais preocupante pois, com o gigantismo dessas empresas e seus mecanismos computacionais desconhecidos, os resultados das buscas são assustadores e preocupantes. Matéria recente no jornal inglês The Guardian analisa esses tendenciosos resultados que são buscados por 63 mil pesquisas por segundo, correspondendo a 5,5 bilhões de buscas ao dia. Por outro lado, as histórias da notícias falsas no Facebook, que dominaram o noticiário mundial nos últimos meses, mostrou a influência dessas notícias na eleição presidencial americana, não tendo ainda cessado o debate sobre o que fazer para isso evitar.

Esses sãos alguns exemplos que demandam corajoso enfrentamento, como já disse, que precisa ser feito com regulação e políticas públicas que fortaleçam as liberdades e a autonomia dos cidadãos.

No caso da educação pública no estado da Bahia, a situação é ainda mais contraditória, pois a própria SEC, através do IAT (Instituto Anísio Teixeira) tem desenvolvido um belo e avançado trabalho, de criação e implantação de um ambiente educacional, uma plataforma construída em software livre, licenciado em Creative Commons e com intensa produção colaborativa de Recursos Educacionais Abertos (REA), não dependente dessas empresas. Isso, sim, merece ser apoiado, ampliado e espalhado por toda a rede e poderia ser feito a partir de uma forte articulação dos diversos grupos que atuam na área de TI, envolvendo todas as 12 universidade e institutos de educação superior públicos aqui instalados, para a montagem de uma verdadeira operação de libertação da Bahia das amarras dessas empresas que, com a lógica do gratuito, aprisionam os cidadãos – transformados em meros consumidores – em uma internet totalmente murada.

Publicado em Políticas Públicas | Com a tag , , , , | Deixar um comentário