Projeto Escola Mundo

Conexão Escola-Mundo: espaços inovadores para formação cidadã

Projeto Guarda- Chuva em desenvolvimento (2018-2020)

Apoio Financeiro CNPq

Resumo

Este projeto parte da observação de pesquisadores, professores e ativistas acerca do aumento da intolerância, o discurso de ódio e a violência no mundo contemporâneo. A conexão global de distintos contextos culturais, ao invés de propiciar o convívio respeitoso
da diversidade, tem se convertido em espaço propício para a difusão do fascismo e outras formas de violência para as quais crianças, jovens e adultos se sentem despreparados.
Também parte de um incômodo, de uma expectativa não realizada da potencialidade de empoderamento de cidadãos a partir de um contexto de imersão tecnológica dada por novas formas não hierárquicas e bidirecionais de comunicação. Não mais condicionados
por restrições técnicas, o acesso à informação e ao conhecimento, assim como a habilidade dos indivíduos lidarem criticamente com ele, ainda está subjugada a outras formas de expressão do poder que reproduzem estratégias contemporâneas de colonialismo, ao
dificultar a superação do papel de consumidores para o de cidadãos na cultura digital.
Assim, chegamos ao âmago da nossa preocupação: a formação dos sujeitos. Na atual conjuntura, que afeta a todos mas especialmente populações vulneráveis, a educação desempenha um importante papel, pois é um espaço estratégico para a educação cidadã em bases democráticas e inclusivas. Em especial a escola, que, se por um lado é um espaço profundamente controlado, é, simultaneamente, o lugar complexo e multifacetado de onde pode emergir uma prática transformadora capaz de propor uma educação em direitos humanos como a base da cidadania na cultura digital, imprescindível para a solução de problemas históricos da nossa sociedade. Apoiados nesta esperança, que transcende a utopia para a ação concreta (a práxis), esta rede de pesquisadores e instituições que se apresentam juntos neste projeto propõe um trabalho colaborativo multi e interdisciplinar de ação e reflexão. Isto é, a investigação e a pesquisa de ações inovadoras na e com as escolas, que partam do chão da escola e que proponham um outro ecossistema que oriente novas práticas e políticas. Trata da criação de uma metodologia de “intervenção” nas escolas, entendida aqui no sentido artístico do termo, que avança da contemplação e consumo das obras de arte para a participação e coautoria do público na consolidação de uma arte que se realiza em um processo de permanente devir e aproximação artista-público na vida cotidiana. Nesta perspectiva, universidade e escola estarão juntas na intervenção-ação, que é uma prática inovadora de formação para a cidadania através da imersão na cultura digital em uma perspectiva ativista de empoderamento, autoria e produção colaborativa, que neste projeto associamos à cultura hacker. Um hacker tem participação ativa no seu grupo social: produz conteúdos e os faz circular imediatamente para que possam ser testados e aperfeiçoados por todos. O processo de produção desses novos aparatos tem como metodologia resolver os problemas surgidos em cada um dos projetos de forma compartilhada. E cada solução alcançada circula para ser objeto de crítica de novos colaboradores. É o que aqui denominamos de perspectiva hacker. O objetivo final está na criação de metodologias transformadoras para a formação cidadã que estabeleçam na escola um novo paradigma, centrado em uma educação para a autoria, colaboração e produção, a escola com jeito hacker de ser. Se desdobra em orientações para o ensino e para a formação de professores, mas também em recomendações para políticas públicas originais, que
dêem conta deste desafio nacional de combate às desigualdades produzidas e reproduzidas, principalmente no sistema educacional. Nosso projeto incorpora um forte componente na vertente difusão acadêmica, aproximando-se dos tradicionais meios associados à grande mídia, mas, especialmente, trazendo para o cotidiano das escolas e do projeto uma perspectiva midiativista, com intensivo uso das tecnologias digitais de informação e comunicação, com forte produção de informações e conhecimentos, em diversos suportes, promovendo uma vital aproximação com a sociedade. Não menos importante, nessa vertente, também propõe o desenvolvimento de uma plataforma colaborativa de comunicação e colaboração, com vistas a se tornar um lugar aberto de autogestão do projeto e das ações a eles associadas. Essa proposta de pesquisa pretende ser, de fato, a experimentação de um paradigma alternativo de educação aberta e conectada
com o mundo a partir da inclusão crítica e criativa dos sujeitos na cultura digital. Nossa hipótese é de que a perspectiva hacker pode vir a se constituir um ecossistema favorável à formação de cidadãos para os direitos humanos na cultura digital, e que pode e deve ser incorporada às práticas pedagógicas nos contextos educativos formais e não formais, assim como estar contemplada na futura discussão da política pública brasileira em educação.

Obejtivo geral

O objetivo principal é criar e experimentar uma metodologia de intervenção na escola para a formação em direitos humanos dentro da perspectiva da educação hacker. Significa propor a elaboração coletiva de uma prática transformadora com e na escola, cujo foco seja a formação crítica de cidadãos na cultura digital dentro de um novo paradigma para a educação, centrado no diálogo, no acolhimento da diversidade, no encontro respeitoso com o outro, dentro de um ambiente de autoria, colaboração e produção coletiva:
um jeito hacker de ser. A intervenção articula reflexão e ação. Acontecerá a partir da experiência prática de uma intervenção ativista para a educação em direitos humanos inspirada na filosofia hacker. Serão criados espaços tecnológicos coletivos inovadores nas escolas participantes e serão oferecidas oficinas práticas de imersão na cultura digital com temas como: cultura hacker, gêneros e diversidade, conhecimento aberto e recursos educacionais abertos, manuseio de dados educacionais, ciência de dados e midiativismo, entre outros. Simultaneamente, a intervenção será campo empírico para a investigação e a produção de conhecimento sobre a vitalidade e viabilidade da escola aberta e colaborativa enquanto proposta de uma nova educação na cultura digital. Estão presentes linhas de
pesquisa como: escola hacker/educação hacker; educação para a cidadania e direitos humanos na cultura digital; formação de professores; políticas públicas em educação e institucionalização (da educação hacker em DH); uso e desenvolvimento de
ferramentas digitais da educação hacker. O caráter processual e dialético da proposta é enfatizado em uma prática democrática e colaborativa que envolve pesquisadores e
estudantes da universidade (especialmente da formação de professores) e profissionais e estudantes no chão da escola. A proposta tem, assim, o potencial de contaminar internamente a escola e as universidades, assim como se difunde através da cooperação
nacional e internacional da rede de pesquisadores que compõem a equipe multidisciplinar da proposta (UFBA, UFSC, UFES, UFRGS, Univille, IDDH -ONG de Direitos Humanos, Universitad de Barcelona e Università Roma-Tre). Destacamos como resultados: (i) um referencial para uma escola hacker e para a formação de professores nessa perspectiva; (ii)
uma proposta de curricularização da educação em direitos humanos, como política pública e também como referência para o planejamento e a prática docente; (iii) a inclusão dos cidadãos na cultura digital como autores e protagonistas; (iv) a promoção da educação em direitos humanos através de uma experiência hacker; (v) o desenvolvimento de uma plataforma colaborativa de formato aberto; (vi) a criação de um coletivo de experimentação de mineração de dados disponíveis na internet; (vii) a produção de artigos, relatórios, website, vídeos e programas de TV para divulgação dos resultados tanto nos meios acadêmicos e também para televisão e internet.

Instituições envolvidas

Universidad Federal da Bahia
Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, SC, Brasil
Universitat de Barcelona – UB, Espanha
Università degli Studi Roma Tre – UNIROMA, Itália

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