{"id":35,"date":"2008-10-24T02:38:51","date_gmt":"2008-10-24T05:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/2008\/10\/24\/videoperformance-videoarte-laura-pacheco\/"},"modified":"2008-10-24T02:38:51","modified_gmt":"2008-10-24T05:38:51","slug":"videoperformance-videoarte-laura-pacheco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/2008\/10\/24\/videoperformance-videoarte-laura-pacheco\/","title":{"rendered":"(Video)performance &#8211; Laura Pacheco"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 como falarmos de videoperformance sem nos remeter a videoarte e a fervilhante produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos anos 60. No come\u00e7o deste per\u00edodo, a videoarte era fundamentalmente performance. Isso implica em estar \u00e0 margem dos circuitos estabelecidos, dos c\u00e2nones que imperavam e, inclusive, dos locais habituais de se fazer, ou \u201cmostrar\u201d, a arte. Uma busca por uma esp\u00e9cie de est\u00e9tica de integra\u00e7\u00e3o das artes, a est\u00e9tica do anti-espet\u00e1culo, do n\u00e3o-show-bussiness v\u00e3o se tornando cada vez mais evidentes. Era a \u00a0performance. A fita imag\u00e9tica como pe\u00e7a de cria\u00e7\u00e3o, as novas maneiras de filmar, de ver, de pensar os enquadramentos, pr\u00f3prios da videoarte, surgiriam logo em seguida, ainda nos anos 60, por\u00e9m na segunda metade.<br \/>\nVale ressaltar que Dziga Vertov, cineasta do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, chegou a lan\u00e7ar os primeiros olhares mais ousados com o Cine-olho, em que propunha novas rela\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, \u00e0s narrativas f\u00edlmicas, \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de lugares n\u00e3o convencionais. \u201cSe trata da primeira inten\u00e7\u00e3o no mundo de criar uma obra cinematogr\u00e1fica sem a participa\u00e7\u00e3o de atores, decoradores, realizadores, sem utilizar est\u00fadio decorados, figurinos. Todos os personagens continuam fazendo na vida o que fazem de ordin\u00e1rio\u201d, dizia ele. Suas id\u00e9ias dos cine-vag\u00f5es de trem, os barcos-cine, o autom\u00f3vel cinematogr\u00e1fico, l\u00e1 pelas d\u00e9cadas de 1910, 1920, contribu\u00edram bastante para a id\u00e9ia de aproxima\u00e7\u00e3o do que \u00e9 cotidiano\u00a0para\u00a0a linguagem do v\u00eddeo e do cinema, lan\u00e7ando novos modos de se relacionar com a imagem capturada.<br \/>\nMas ousadias deste tipo, impl\u00edcitas nos\u00a0modos de ver, sentir, perceber, registrar e produzir imagens, s\u00f3 repercutem em maior amplitude na d\u00e9cada de 60, \u00e9poca em que videoarte e performance emergiam imbricados. Desse modo, os trabalhos de Nam June Paik \u2013 artista considerado pioneiro da videoarte \u2013 s\u00e3o reconhecidos tamb\u00e9m como trabalhos de performance \u2013\u00a0mesmo sendo v\u00eddeos que\u00a0fazem um testemunho\u00a0documental de uma performance. N\u00e3o era pois uma pe\u00e7a de cria\u00e7\u00e3o de montagem, e sim um trabalho em tempo real, processual, basicamente, antitelevisivo. Conhecido como m\u00fasico performer, Paik trabalhou com figuras como Jonh Cage e Stockhausen, dois dos grandes impulsores do movimento moderno de m\u00fasica experimental. Formou parte do grupo FLUXUS, criou toda uma s\u00e9rie de concertos-performances durante os primeiros anos 60, sempre muito tecnol\u00f3gicos. Paralalelamente, desenvolveu sua faceta de criador de imagens, baseadas quase exclusivamente no princ\u00edpio da distor\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es televisivas por meios eletromagn\u00e9ticos. Suas obras, extensas e complexas, abarca programas de TV, mas basicamente est\u00e1 integrada por instala\u00e7\u00f5es e performances, sobretudo performances v\u00eddeo-musicais, imagem e som, elementos audiovisuais.<br \/>\nJ\u00e1 na d\u00e9cada de 70, o discurso (no)do corpo ganha maior visibilidade\u00a0com o trabalho da\u00a0artista s\u00e9rvia Marina Abramovic. Ela\u00a0desponta como uma das pioneiras na performance, fazendo do seu pr\u00f3prio corpo,\u00a0seu tema e sua m\u00eddia. Explorando os limites f\u00edsicos e mentais de seu ser, seja pela dor, pela exaust\u00e3o, pelo risco e\/ou pelo perigo, a artista faz do seu corpo o lugar de transforma\u00e7\u00e3o emocional e espiritual. Lida com id\u00e9ias como co-depend\u00eancia e vulnerabilidade. \u00a0Suas obras exemplificam sua cren\u00e7a na id\u00e9ia de supera\u00e7\u00e3o f\u00edsica e emocional em \u201cuma arte capaz de mudar a ideologia da sociedade\u201d. Entre os anos de 1976 a 1989, realizou grande parte de seus trabalhos com o artista alem\u00e3o Ulay (Uwe Laysiepen), seu companheiro art\u00edstico. Como membro vital de uma gera\u00e7\u00e3o de artistas pioneiros de performance, que inclui Bruce Naumam, Vito Acconci, e Chris Burden, Abramovic criou algumas das mais hist\u00f3ricas pe\u00e7as iniciais e \u00e9 uma das poucas que ainda faz importantes trabalhos de longa dura\u00e7\u00e3o. Para quem n\u00e3o sabe, Marina Abramovic vem ao Brasil este ano, para participar da Bienal de Arte Contempor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo &#8211; uma boa oportunidade para conhecer, de perto, o trabalho desta artista.<br \/>\nO Festival Internacional de Arte Eletr\u00f4nica, Videobrasil, um dos maiores festivais de v\u00eddeo da Am\u00e9rica Latina,\u00a0que acontece\u00a0em S\u00e3o Paulo, realizou, em 2005, uma ampla retrospectiva sobre o trabalho de Abramovic, dedicando-se ao tema central da Performance,\u00a0na edi\u00e7\u00e3o daquele ano. Idealizado e coordenado por Solange Farkas \u2013 atual curadora do Museu de Arte Moderna da Bahia, o evento trouxe importante quest\u00f5es do v\u00eddeo e da performance para o p\u00fablico brasileiro. Outros nomes de refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea na arte da performance tiveram visibilidade no festival como o centro nova-iorquino de m\u00eddia The Kitchen, do World Wide Video Festival holand\u00eas, a alem\u00e3-queniana Ingrid Mwangi, a indon\u00e9sia Melati Suryodarmo e a norte-americana Coco Fusco, que comandou uma interven\u00e7\u00e3o em frente ao Consulado Geral dos Estados Unidos. Performances de artistas brasileiros \u2013 muitas com utiliza\u00e7\u00e3o de recursos audiovisuais &#8211; como Eder Santos, Chelpa Ferro, feitoam\u00e3os\/F.A.Q., Frente 3 de Fevereiro, Marco Paulo Rolla, Detanico Lain tamb\u00e9m foram realizadas durante o Videobrasil. O site do festival mant\u00e9m-se constantemente atualizado e cont\u00e9m diversas informa\u00e7\u00f5es interessantes para pesquisa\u00a0em artes visuais e performance.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.sescsp.org.br\/sesc\/videobrasil\/site\/home\/home.asp\">http:\/\/www.sescsp.org.br\/sesc\/videobrasil\/site\/home\/home.asp<\/a><br \/>\nVale a pena dar uma navegada tamb\u00e9m no site Ubuweb (<a href=\"http:\/\/www.ubu.com\/\">www.ubu.com<\/a>), uma esp\u00e9cie de cinemateca\/videoteca e audioteca digital. No link <em>film &amp; video<\/em>, h\u00e1 um amplo acervo de v\u00eddeos pioneiros na linguagem visual, com grandes nomes da performance como Marina Abramovic, Joseph Beays, Nam June Paik, John Cage, Merce Cunningham, entre v\u00e1rios outros.<br \/>\n<strong><u>** Alguns trabalhos de Marina Abramovic:<\/u><\/strong><br \/>\n<strong>*Rhythm 10 \u2013 The Star, 1999 &#8211; <\/strong>Abramovic atua num filme onde se colocam quest\u00f5es da performance como a rela\u00e7\u00e3o entre o corpo presente e o risco. <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=h9-HVwEbdCo\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=h9-HVwEbdCo<\/a><br \/>\n*O <strong>link abaixo<\/strong> (desculpem, n\u00e3o encontrei o nome deste trabalho) \u00e9 parte de uma videoperformance de Abramovic, em que ela coloca sobre seu corpo um esqueleto humano. A pr\u00f3pria imagem suscita quest\u00f5es dos estados corporais, a rela\u00e7\u00e3o entre o corpo vivo e o corpo morto, a estrutura daqueles corpos, em uma imagem de duplica\u00e7\u00e3o enquanto corpos da mesma natureza, por\u00e9m em diferentes estados e processos. <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pno1gCrbeVk&amp;feature=related\">http:\/\/www.youtube.com\/watchv=pno1gCrbeVk&amp;feature=related<\/a><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>*Relation in time<\/strong><strong> &#8211; <\/strong>Nesta performance, uma c\u00e2mera \u00e9 a \u00fanica audi\u00eancia poss\u00edvel durante a maior parte da obra, at\u00e9 que a ela se abra para a vista do p\u00fablico. Abramovic e seu parceiro Ulay ficam sentados numa cadeira, por 16 horas, sem audi\u00eancia, ligados apenas pelos cabelos de \u00e2mbos que ficam tran\u00e7ados um ao outro. A obra \u00e9 aberta ao p\u00fablico 16 horas depois que se iniciou. Ap\u00f3s esse tempo, a imagem que se configura ao p\u00fablico s\u00e3o de corpos em estados distintos se comparado ao in\u00edcio da performance. Quest\u00f5es como exaust\u00e3o f\u00edsica, rela\u00e7\u00f5es de co-depend\u00eancia e a atua\u00e7\u00e3o do tempo na mudan\u00e7a desses estados corporais tornam-se evidentes.<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mUz5rnxQmfI&amp;feature=related\">http:\/\/www.youtube.com\/watchv=mUz5rnxQmfI&amp;feature=related<\/a>\u00a0<br \/>\n** <strong>Entrevista com Marina Abramovic (em ingl\u00eas):<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/web.ukonline.co.uk\/n.paradoxa\/abramov.htm\">http:\/\/web.ukonline.co.uk\/n.paradoxa\/abramov.htm<\/a><br \/>\n* Trabalhos de Joseph Beays: <a href=\"http:\/\/www.ubu.com\/film\/beuys.html\">http:\/\/www.ubu.com\/film\/beuys.html<\/a><br \/>\n* Trabalhos de Nam June Paik: <a href=\"http:\/\/www.ubu.com\/film\/paik.html\">http:\/\/www.ubu.com\/film\/paik.html<\/a><br \/>\n* Trabalhos de Cunningham: <a href=\"http:\/\/www.ubu.com\/film\/cunningham.html\">http:\/\/www.ubu.com\/film\/cunningham.html<\/a><br \/>\n<u>Fontes:<\/u><br \/>\n&#8211; GLUSBERG, Jorge. A arte da performance. Ed. Perspectiva, 2005<br \/>\n&#8211; RUSINOL, Joaquim dols \u2013 La v\u00eddeo Performance<br \/>\n&#8211; Site Videobrasil &#8211; http:\/\/www.sescsp.org.br\/sesc\/videobrasil\/site\/home\/home.asp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 como falarmos de videoperformance sem nos remeter a videoarte e a fervilhante produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos anos 60. No come\u00e7o deste per\u00edodo, a videoarte era fundamentalmente performance. Isso implica em estar \u00e0 margem dos circuitos estabelecidos, dos c\u00e2nones que imperavam e, inclusive, dos locais habituais de se fazer, ou \u201cmostrar\u201d, a arte. 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