{"id":26,"date":"2008-10-23T23:58:10","date_gmt":"2008-10-24T02:58:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/2008\/10\/23\/sobre-marcel-duphamp\/"},"modified":"2008-10-23T23:58:10","modified_gmt":"2008-10-24T02:58:10","slug":"sobre-marcel-duphamp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/2008\/10\/23\/sobre-marcel-duphamp\/","title":{"rendered":"Sobre Marcel Duphamp"},"content":{"rendered":"<p>Artista franc\u00eas, Marcel Duchamp nasceu em Blainville, Fran\u00e7a, a 28 de julho de 1887, e morreu em Nova York, EUA, em 2 de outubro de 1968. Irm\u00e3o do pintor Jacques Villon (Gast\u00f3n Duchamp) e do escultor Raymond Duchamp-Villon. Freq\u00fcenta em Paris a Academie Julian, onde pinta quadros impressionistas, segundo ele, &#8220;s\u00f3 para ver como eles faziam isso&#8221;.<br \/>\nEm 1911-1912 suas obras &#8220;O rei e a rainha cercados de nus&#8221; e &#8220;Nu descendo uma escada&#8221; est\u00e3o na conflu\u00eancia entre o Cubismo e o Futurismo. S\u00e3o quadros simultaneistas, an\u00e1lises do espa\u00e7o e do movimento. Mas j\u00e1 se destacam pelos t\u00edtulos, que Duchamp pretende incorporar ao espa\u00e7o mental da obra.<br \/>\nEntre 1913-1915 elabora os &#8220;ready-made&#8221;, isto \u00e9, objetos encontrados j\u00e1 prontos, \u00e0s vezes acrescentando detalhes, outras vezes atribuindo-lhes t\u00edtulos arbitr\u00e1rios. O caso mais c\u00e9lebre \u00e9 o de &#8220;Fonte&#8221;, urinol de lou\u00e7a enviado a uma exposi\u00e7\u00e3o em Nova York e recusado pelo comit\u00ea de sele\u00e7\u00e3o. Os t\u00edtulos s\u00e3o sugestivos ou ir\u00f4nicos, como &#8220;Um ru\u00eddo secreto&#8221; ou &#8220;Farm\u00e1cia&#8221;. Detalhe acrescentado em um &#8220;ready-made&#8221; c\u00e9lebre: uma reprodu\u00e7\u00e3o da Gioconda, de Leonardo da Vinci, com barbicha e bigodes.<br \/>\nSegundo o cr\u00edtico e historiador de arte Giulio Carlo Argan, os &#8220;&#8216;ready-mades&#8217; podem ser lidos como gesto gratuito, como ato de protesto dessacralizante contra o conceito &#8216;sacro&#8217; da &#8216;obra de arte&#8217;, mas tamb\u00e9m como vontade de aceitar na esfera da arte qualquer objeto &#8216;finito&#8217;, desde que seja designado como &#8216;arte&#8217; pelo artista&#8221;.<br \/>\nEsses &#8220;ready-mades&#8221; escondem, na verdade, uma cr\u00edtica agressiva contra a no\u00e7\u00e3o comum de obra de arte. Com os t\u00edtulos liter\u00e1rios, Duchamp rebelou-se contra a &#8220;arte da retina&#8221;, cujos significados eram s\u00f3, segundo ele, impress\u00f5es visuais. Duchamp declarou preferir ser influenciado pelos escritores (Mallarm\u00e9, Laforgue, Raymond Roussel) &#8211; e n\u00e3o pretendia criar objetos belos ou interessantes. A cr\u00edtica da obra de arte se estendia \u00e0 ant\u00edtese bom gosto-mau gosto.<br \/>\nEntre 1915 e 1923 o artista dedicou-se \u00e0 sua obra principal, &#8220;O grande vidro&#8221;, pintura a \u00f3leo sobre uma placa de vidro duplo dividido em duas se\u00e7\u00f5es. A parte superior chamou de &#8220;A noiva desnudada pelos seus celibat\u00e1rios, mesmo&#8221;; e a inferior, &#8220;Moinho de chocolate&#8221;. Toda a obra \u00e9 um pseudomaquinismo: a &#8220;noiva&#8221; \u00e9 um aparato mec\u00e2nico, assim como os &#8220;celibat\u00e1rios&#8221;. Contendo v\u00e1rios n\u00edveis de significa\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias hip\u00f3teses foram formuladas pela cr\u00edtica para descobrir o sentido de sua complicada mitologia.<br \/>\nPara Giulio Carlo Argan, &#8220;O grande vidro&#8221; foi desenvolvido &#8220;em torno de significados er\u00f3tico-m\u00edsticos, joga com a transpar\u00eancia do espa\u00e7o, com o significado alqu\u00edmico e simb\u00f3lico, com o conceito de &#8216;andr\u00f3gino&#8217;, inato em todos os indiv\u00edduos&#8221;.<\/p>\n<h3>Coincidir arte e vida<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s &#8220;O grande vidro&#8221;, Duchamp dedicou-se aos mecanismos \u00f3pticos &#8211; que chamou de &#8220;rotorrelevos&#8221;. Em 1941 executa uma &#8220;caixa-maleta&#8221;, contendo modelos reduzidos de suas obras, e, em 1943, a &#8220;Caixa verde&#8221;, contendo fotos, desenhos, c\u00e1lculos e notas.<br \/>\nA partir de 1957 vive em Nova York, dedicando-se \u00e0 sua paix\u00e3o pelo jogo de xadrez. Seu sil\u00eancio parece uma redu\u00e7\u00e3o da capacidade inventiva, mas ap\u00f3s sua morte descobre-se que o artista estivera trabalhando secretamente na constru\u00e7\u00e3o de um &#8220;ambiente&#8221;: um quarto fechado onde repousa uma figura em cera, cercada de vegeta\u00e7\u00f5es. O ambiente s\u00f3 pode ser visto, por determina\u00e7\u00e3o do artista, por um orif\u00edcio da porta.<br \/>\nA obra de Duchamp, reduzid\u00edssima, foi menos obra do que uma atitude, um gesto cr\u00edtico radical, mas em muitas declara\u00e7\u00f5es o artista recusou-se a ser visto como um destruidor. A atitude cr\u00edtica de Duchamp ainda repercute, tantos anos depois de suas cria\u00e7\u00f5es radicais.<br \/>\nNa opini\u00e3o de Giulio Carlo Argan, &#8220;talvez a obra de Duchamp alqu\u00edmica por excel\u00eancia seja toda a sua vida, que serve de modelo para todas as novas vanguardas do segundo p\u00f3s-guerra, do &#8216;New Dada&#8217; \u00e0s experi\u00eancias de recupera\u00e7\u00e3o do corpo como express\u00e3o art\u00edstica, na inten\u00e7\u00e3o de fazer coincidir arte e vida&#8221;.<br \/>\n<strong>Fontes:<\/strong><br \/>\n&#8211; Enciclop\u00e9dia Mirador Internacional<br \/>\n&#8211; &#8220;Arte moderna&#8221;, Giulio Carlo Argan, Editora Cia. das Letras.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/educacao.uol.com.br\/biografias\/Marcel-Duchamp.jhtm\">http:\/\/educacao.uol.com.br\/biografias\/Marcel-Duchamp.jhtm<\/a>\u00a0&#8211; 22\/10\/2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artista franc\u00eas, Marcel Duchamp nasceu em Blainville, Fran\u00e7a, a 28 de julho de 1887, e morreu em Nova York, EUA, em 2 de outubro de 1968. 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