{"id":23,"date":"2008-10-23T01:14:53","date_gmt":"2008-10-23T04:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/2008\/10\/23\/eder-santos-uma-referencia-em-videoarte-no-brasil\/"},"modified":"2008-10-23T01:14:53","modified_gmt":"2008-10-23T04:14:53","slug":"eder-santos-uma-referencia-em-videoarte-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/2008\/10\/23\/eder-santos-uma-referencia-em-videoarte-no-brasil\/","title":{"rendered":"\u00c9der Santos &#8211; Uma refer\u00eancia em videoarte no Brasil"},"content":{"rendered":"<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Eder Jos\u00e9 dos Santos J\u00fanior<br \/>\n(Belo Horizonte MG 1960)<br \/>\nSantos \u00e9 graduado em belas-artes e comunica\u00e7\u00e3o visual pela UFMG. Criou em Belo Horizonte a produtora Emv\u00eddeo, onde produziu a maior parte de sua obra. Seus v\u00eddeos integram hoje os acervos permanentes do MoMA, Nova York, e do Centre Georges Pompidou, Paris, e s\u00e3o distribu\u00eddos internacionalmente pela Electronic Arts Intermix (Nova York) e pela London Electronic Arts (Londres). Realizou diversas videoinstala\u00e7\u00f5es para eventos como Videobrasil (S\u00e3o Paulo) e ForumBHZVideo (Belo Horizonte). Trata-se de uma das obras videogr\u00e1ficas mais densas e po\u00e9ticas j\u00e1 produzidas no Brasil.<\/p>\n<p>IMPORT\u00c2NCIA DE SUA OBRA<\/p>\n<p>Eder Santos talvez seja o mais conhecido e difundido dos atuais realizadores brasileiros de v\u00eddeo. Esse fato chega a ser surpreendente, porque talvez n\u00e3o exista atualmente no Brasil uma obra audiovisual mais dif\u00edcil e desafiadora do que a dele. Entre as raz\u00f5es principais da dificuldade, podemos citar o fato de tais obras serem constitu\u00eddas predominantemente de ru\u00eddos, interfer\u00eancias, &#8220;defeitos&#8221;, dist\u00farbios do aparato t\u00e9cnico e, \u00e0s vezes, ro\u00e7am mesmo os limites da visualiza\u00e7\u00e3o. Em Enredando as Pessoas (1995), por exemplo, h\u00e1 uma refer\u00eancia metaf\u00f3rica a &#8220;civiliza\u00e7\u00f5es controladas pelas imagens&#8221;, que se deixam invadir por elas, contaminar-se por elas, mobilizar-se por elas, como as religi\u00f5es lograram concretizar at\u00e9 algum tempo atr\u00e1s. Na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, uma obra como Jana\u00faba (1993) mostra o ideal que Santos busca incansavelmente: recuperar a energia primordial das artes visuais, restabelecer o sentido e a for\u00e7a das imagens, que se teriam perdido no atual oceano de imagens industriais. Inspirado remotamente num filme antigo e mitol\u00f3gico do cinema mudo brasileiro (Limite, de M\u00e1rio Peixoto), Jana\u00faba \u00e9 quase um retorno \u00e0s origens do audiovisual, na tentativa de retomar valores que a civiliza\u00e7\u00e3o olvidou.<br \/>\nNa videoinstala\u00e7\u00e3o The Desert in My Mind (1992), outro exemplo instigante, os espectadores caminham sobre as imagens, com toda a carga sem\u00e2ntica desmistificadora que pode existir no ato de pisar nas imagens. N\u00e3o satisfeito com isso, Santos introduz ainda manchas de luz pulsantes sobre a superf\u00edcie da tela, ru\u00eddos visuais simulando os arranh\u00f5es caracter\u00edsticos dos velhos filmes cinematogr\u00e1ficos, compromete a estabilidade da imagem por meio de interfer\u00eancias sobre o sinal de controle vertical ou de uma c\u00e2mera &#8220;tremida&#8221;, que lembra os exerc\u00edcios ing\u00eanuos dos amadores. Embora tudo isso seja, na verdade, resultado de processamento da imagem em sofisticadas m\u00e1quinas de efeitos digitais, o que se v\u00ea na tela n\u00e3o lembra nem de longe os produtos ass\u00e9pticos que normalmente se obt\u00eam com tais recursos. Em alguns casos, Santos reprocessa in\u00fameras vezes uma mesma imagem para que, ao longo das sucessivas gera\u00e7\u00f5es de c\u00f3pias, o sinal figurativo original obtido pela c\u00e2mera entre em processo de degenera\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 que, pelo menos nos casos lim\u00edtrofes, quase nada sobra para se ver, a n\u00e3o ser p\u00e1lidos vest\u00edgios de imagens.<br \/>\nNas tr\u00eas obras em que essa postura existencial est\u00e1 mais bem colocada &#8211; N\u00e3o Vou \u00e0 \u00c1frica Porque Tenho Plant\u00e3o (1990), Essa Coisa Nervosa (1991) e Enredando as Pessoas (1995) -, uma interfer\u00eancia deliberada sobre o dispositivo t\u00e9cnico (wipes sucessivas e muito r\u00e1pidas, simulando perda constante do sincronismo vertical dos frames) faz com que as imagens oscilem o tempo todo diante do olhar do espectador, tornando dif\u00edcil &#8211; \u00e0s vezes imposs\u00edvel &#8211; a visualiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em Poscatidevenum (1993), espet\u00e1culo multim\u00eddia concebido em conjunto com o m\u00fasico Paulo Santos (do grupo Uakti) e para o qual Eder Santos criou as imagens projetadas e um v\u00eddeo de documenta\u00e7\u00e3o (se \u00e9 que se pode dizer isso de um v\u00eddeo de Santos), a imagem se reduz a puros grafismos nervosos, riscos e manchas destitu\u00eddos de qualquer homologia com formas conhecidas do mundo vis\u00edvel. Nesse trabalho, como tamb\u00e9m em muitas das suas instala\u00e7\u00f5es mais recentes, Santos opera como um Pollock da era eletr\u00f4nica, fazendo uma arte em que a imagem \u00e9 mais um gesto iconizado do que o \u00edndice de alguma coisa reconhec\u00edvel em termos de verossimilhan\u00e7a. Ademais, a indiferencia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre imagens videogr\u00e1ficas e cinematogr\u00e1ficas (eletr\u00f4nicas e fotoqu\u00edmicas) produz uma desconcertante varia\u00e7\u00e3o de texturas pl\u00e1sticas, no lugar da convencional e reconfortante homogeneidade da imagem industrial a que estamos habituados. O resultado disso tudo \u00e9 o envolvimento do espectador numa situa\u00e7\u00e3o de desconforto visual que ser\u00e1 fundamental para o seu enfrentamento da tem\u00e1tica proposta.<br \/>\nFonte:http:\/\/www.cibercultura.org.br\/tikiwiki\/tiki-index.php?page=Eder+Santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia Eder Jos\u00e9 dos Santos J\u00fanior (Belo Horizonte MG 1960) Santos \u00e9 graduado em belas-artes e comunica\u00e7\u00e3o visual pela UFMG. Criou em Belo Horizonte a produtora Emv\u00eddeo, onde produziu a maior parte de sua obra. Seus v\u00eddeos integram hoje os acervos permanentes do MoMA, Nova York, e do Centre Georges Pompidou, Paris, e s\u00e3o distribu\u00eddos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-23","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/dancanovasmidias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}