17/03 CLEISE MENDES

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Cleise Furtado Mendes nasceu no Rio de Janeiro, mas vive na Cidade da Bahia desde o ano de 1966. Na infância, fez a experiência com o mundo real pela via das Letras e, desde então, percebeu-se vocacionada a escrever. Adulta, foi leitora de Freud e, apesar de nunca ter duvidado de que seu ofício seria escrever, pensou em ser psicanalista, mas, em nome de seu amor pela escrita, decidiu que, além de fazer Literatura, iria pensar a Literatura. O teatro era um possível, mas, em primeiro momento, não como forma “séria” de profissão, apenas como prazer, distração.

Fez teatro amador no Rio de Janeiro, onde, desde os quatorze anos, foi atriz. Na Bahia, já como estudante de Letras, em uma aula ministrada pelo professor Carlos Petrovich, foi seduzida e impelida a uma aproximação ainda maior com o teatro. Depois de formada, inscreveu-se no curso de atores do professor José Possi Neto, compondo o elenco da encenação de A casa de Bernarda Alba (1973) e, posteriormente, produzindo seu primeiro roteiro de teatro, Marilyn Miranda (1974).

É uma escritora de múltipla atuação e de muitas encenações: poeta, contista, teórica, ensaísta, professora universitária e dramaturga. Seu livro de estreia, de poemas, Ágora: praça do tempo, foi publicado em 1979, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Depois dele, escreveu poemas para revistas e coletâneas, voltando a publicar textos dessa natureza somente em 2006, em O Cruel Aprendiz, livro que reúne produções recolhidas ao longo de seu trabalho e tecidas nos mais distintos momentos do seu fazer literário. Como contista, foi premiada em 1976, no Rio de Janeiro, pela Revista Ficção e, em 2003, a convite de Ildásio Tavares, publicou uma seleção de contos no livro A Terceira manhã, em uma parceria entre a Fundação Cultural do Estado da Bahia e a Editora Imago.

Na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, atua como professora dos cursos de Graduação e Pós-Graduação, desde 1975, é também bolsista de produtividade do CNPq e pesquisa a produção dramatúrgica de efeito cômico, problematizando as estratégias e os artifícios de construção de tal efeito por parte dos escritores de textos para o teatro.

No lugar de escritora de dramaturgia, acumula uma média de quarenta peças escritas, nas quais, segundo Evelina Hoisel, “percebe-se um constante entrelaçamento de elementos díspares, como a festa popular, a negritude, a sensualidade, o humor, o cômico, o trágico, a ironia, a presença de uma tradição constantemente evocada através de vozes do passado”. Seus textos dramáticos, alguns resultantes de traduções de outros sistemas semióticos (adaptações de romances, contos, etc), são marcados pelo trânsito intercultural, pelas intervenções e acréscimos das cores locais e pela marca de uma autoria ocupada de um trabalho de linguagem que oscila entre o teatral da cena e o literário do escrito.

Sua relevância para a Dramaturgia Baiana é tão reconhecida que, em 2003, estreou a coleção Dramaturgia da Bahia, com a publicação de dois volumes. No primeiro, estão as peças Lábaro Estrelado, Bocas do Inferno, O Bom cabrito berra; no segundo, os textos de Castro Alves, Marmelada: uma comédia caseira e Noivas. Além destes, outros textos dramáticos foram produzidos pela escritora ao longo de mais de 30 anos de produção, dentre os quais, destacamos A Terceira margem (1980); As Feministas de Muzenza (1990), em co-autoria com Haydil Linhares; A Conspiração dos Alfaiates e Canudos – A Guerra do Sem Fim (1992 e 1993, respectivamente), em coautoria com Aninha Franco e Paulo Dourado; A Casa de Eros (1996) etc..

Ainda na condição de dramaturga, Mendes recebeu o prêmio Braskem de Teatro de melhor autor de 2009, com o texto Joana d’Arc, bem como uma homenagem pelo conjunto da obra teatral em 2005. Foi ainda premiada pelo Troféu Bahia Aplaude de melhor autor em 1994, com peça Castro Alves, e pelo Troféu Martin Gonçalves na categoria melhor texto, em 1980, por A Terceira Margem.

Além de tudo, Cleise Furtado Mendes é imortal da Academia de Letras do Estado, ocupando a cadeira de número 6.

Possui graduação em Licenciatura em Letras pela Universidade Federal da Bahia (1972), graduação em Bacharelado em Estudos Literários pela Universidade Federal da Bahia (1974), mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (1985) e doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (2001). Atualmente é Professora Associada II da Universidade Federal da Bahia.

http://www.memorialdeartescenicas.com.br/site/teatro-c2/162-cleise-mendes-teatro.html

Cleise Mendes foi a convidada de uma das edições do Programa Perfil & Opinião, da TVE: http://www.irdeb.ba.gov.br/educadora/catalogo/media/view/6339

Confira trecho da participação de Cleise Mendes no projeto Com a Palavra o Escritor, na Fundação Casa de Jorge Amado, em 1997: https://www.youtube.com/watch?v=CovK1HVUSGk


Confira “Lábaro Estrelado: dramaturgia e MPB”, texto de Cleise Mendes publicado em 2008 pela revista Repertório: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/2015

Confira matéria de A TARDE sobre o lançamento do livro “A Gargalhada de Ulisses”, de Cleise Mendes: http://atarde.uol.com.br/cultura/noticias/1087861-dramaturga-cleise-mendes-lanca-livro-sobre-a-comedia-nesta-terca


Assista o Encontro Literário com Cleise Mendes, evento promovido pela Academia de Letras da Bahia em 2010: https://www.youtube.com/watch?v=W3sveu8mQ78

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Relata Cleise Mendes:

Trata-se de uma cena real, à qual pude assistir após o último espetáculo da temporada. Ele retirava a maquiagem e chorava. Estranhei a cena, mas alguém do nosso elenco, não lembro quem, talvez o próprio Harildo, disse: “É assim mesmo, coisa de Petrô: ele está se despedindo da personagem.”

Eu também era atriz do elenco, e essa imagem nunca me saiu da mente.

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